Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 03/10/2019

“Os 13 porquês” é uma série popular que aborda os motivos que levaram uma garota, Hannah Baker, a tirar sua própria vida. Apesar de contemplar sobre muitos assuntos importantes, a história utiliza a exposição e o “bullying” virtual para dar início ao enredo, proporcionando ao espectador as consequências dessa forma de violência e os sentimentos que esta causa à vítima, com o intuito de provocar uma reflexão sobre o assunto, algo essencial e necessário para a sociedade atual.

Apesar de ser uma trama fictícia, a série retrata o que muitas pessoas sofrem cotidianamente nas redes sociais. Seja racismo, homofobia ou misoginia, o ódio e a intolerância estão fortemente presentes no “mundo virtual” e são usados com cada vez mais naturalidade, por consequência da liberdade que as redes sociais disponibilizam. Assim sendo, as pessoas passaram a fazer publicações preconceituosas não esperando as consequências dos seus atos, como ocorreu com a jornalista Maria Júlia, vítima de comentários racistas em sua foto publicada na página virtual no Facebook do Jornal Nacional, em 2015. Por consequência disso, o Laboratório de Estudos em Imagem e Cibercultura da Universidade Federal do Espirito Santo (UFES) criou um aplicativo que identifica e monitora possíveis comentários preconceituoso nas mídias virtuais, a fim de os denunciar, assim como seus autores.       Entretanto, apenas essa iniciativa não é suficiente, a intolerância nas redes sociais ainda é expressiva e suas vítimas, na maioria dos casos, continuam a ser negligenciadas, contribuindo para a falta de denúncias e gerando uma onda de comentários ou “piadas” de teor violento que agridem psicologicamente, em grande parte, as minorias não apenas no âmbito virtual, mas também na realidade concreta.

Diante do que foi exposto, é essencial que a parte consciente da sociedade incentivem, por meio de palestras ou debates abertos ao público, uma maior atenção às pessoas vítimas de “cyberbulling” ou postagens preconceituosas, com o intuito de encorajar, não somente as denúncias, assegurando o sigilo, mas também o descontentamento acerca de atos de ódio tanto no meio virtual como no real; somando-se a isso, é importante que o Ministério Público Federal intensifique as propagandas sobre o disque 100 ou sobre o site “Safernet”, canais especiais para denúncias contra preconceitos e abusos, a partir de postagens informativas nas redes sociais e em mídias televisivas, para que mais pessoas possam ter acesso a esses meios de queixa anônima. A fim de que, com todas essas ações, as pessoas em que a Hannah Baker foi inspirada possam receber apoios e soluções diferentes, transformando o fim que a protagonista recebeu em uma realidade melhor.