Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 03/10/2019

Em meados de 1950, na África do Sul, ocorreu um regime de segregação racial que impossibilitou a inclusão dos negros na sociedade, lugares públicos, decisões políticas e acesso a direitos sociais, como saúde, educação e moradia, denominado Apartheid. Mais de sessenta anos depois, no Brasil, observa-se a ocorrência de casos discriminatórios físicos e virtuais, não somente com negros, mas também com mulheres e comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais). A essa situação, atribui-se um grande empecilho para a manutenção do respeito com os grupos supracitados e as suas diferenças, bem como a harmonia da sociedade brasileira.

Conforme visto anteriormente, historicamente há a ocorrência de casos discriminatórios, como a Segunda Guerra Mundial, na qual Adolf Hitler enviou milhares de judeus para campos de concentração, devido à seu discurso de ódio, pois ele carregava uma forte intolerância religiosa. Por mais que a sociedade mundial tenha evoluído em diversos aspectos, ainda não conseguiu conter seus instintos de raiva, medo e ódio, os quais representam os pilares de todo o preconceito e intolerância comumente aplicado às minorias, por meio de discursos ofensivos virtuais e físicos, como o ocorrido com a apresentadora negra Maria Júlia Coutinho, do noticiário “Jornal Nacional”, a qual foi alvo de críticas e racismo em redes sociais nos últimos anos.

De acordo com os fatos apresentados, pode-se afirmar que as ideias de Spinoza na sua obra “Tratado da Reforma do Entendimento” não estão sendo aplicadas, tendo em vista que elas visam a mudança do pensamento e julgamento humano em prol da melhoria dos sentimentos negativos instintivos, como raiva e ódio. Esses sentimentos negativos induzem o ser humano a praticar preconceito, desrespeitar e oprimir minorias.

Heráclito de Éfeso, filósofo grego, afirma que “nada é permanente, salvo a mudança”, e, em suma, para que os casos de intolerância e discurso de ódio contra minorias sejam debelados, os educadores, juntamente com os pais, devem realizar atividades lúdicas com as crianças, a fim de promover a inclusão de todos os alunos, independente da cor ou do sexo. Concomitantemente, faz-se necessária a utilização de livros didáticos que contenham informações e fatos históricos de opressão às minorias, com o intuito de despertar o discernimento dos alunos e evitar que essas situações se repitam. A Promotoria de Justiça precisa exercer o seu papel de imparcialidade no momento do julgamento de crimes homofóbicos, racistas, xenofóbicos ou feminicídios, e punir adequadamente os inclementes. Simultaneamente, os órgãos públicos devem disponibilizar terapeutas gratuitos, para que os brasileiros agressivos possam conter seus instintos raivosos e opressores.