Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 07/10/2019

As eleições de 2018 no Brasil, foram marcadas por intolerância e discurso de ódio. Isso se evidencia pela aclamação do povo ao ser convidado por um político, ainda que humoristicamente, para “fuzilar a petralhada do Acre”. Esse cenário foi impulsionado e mantém-se nas redes sociais por meio da individualização do cidadão e da bolha ideológica.

De acordo com Alexis de Tocqueville, com a queda do Antigo Regime, dos privilégios e dos setores do Estado que uniam as pessoas em grupos, essas se tornaram individualizadas, isto é, concentradas em seus assuntos particulares. Hoje, o panorama visto por Tocqueville está mais acentuado pelo círculo de ideias e pessoas formado na internet, no qual há sensação de impunidade. Sendo assim, os “internautas” manifestam o ódio à oposições políticas e às minorias. Boa parte dos simpatizantes ideológicos se habituam a isso o que banaliza diversas formas de violência e de ódio.

Isso fica claro com o apoio de seguidores do Presidente da República a declarações como: “direitos humanos para humanos direitos”. Uma indubitável manifestação de defesa da violência e de intolerância, pois, segundo Françoise Héritier, ser intolerante é ver como humanos os que são do seu grupo, os outros não o sendo, podem ser tratados como tais. Seguindo essa linha de raciocínio, a intolerância é fortalecida pelas redes sociais, já que os algoritmos direcionam conteúdo e/ou influências com base no que o usuário demonstra gostar, de tal modo que forma “bolhas sociais”, assim, isolando-o de outras perspectivas.

Portanto, o Ministério da Educação deve, aliado com escolas e mídias (televisivas e cibernéticas), criar campanhas educativas em meio físico e virtual. Estas devem ocorrer por meio de palestras com sociólogos e historiadores as quais ressaltem que o ódio e a intolerância geraram, no século XX, um número colossal de mortes e os perigos desse comportamento. Essa ação será feita com o intuito de diminuir a intolerância e o ódio das redes sociais, também como da sociedade. Dessa maneira, o Brasil trilhará para ter mais debates políticos e menos ataques ideológicos.