Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 09/10/2019
Consoante o filósofo Stuart- Hall, o sujeito inserido na pós-modernidade é dotado de múltiplas identidades. De maneira análoga, hodiernamente, o ser humano se apropria de inúmeras facetas, no entanto, algumas delas acabam por aderir a um discurso de ódio e preconceito dentro das redes sociais. Essa alarmante realidade ocorre não só pela falta de respeito e educação por parte do agressor, mas também pelo sentimento de anonimato e suposta impunidade.
Mormente, vale ressaltar que o panorama supracitado, infelizmente, ressalta a existência de inúmeras pessoas intolerantes no país. Conforme o filósofo Immanuel Kant, o princípio da ética é agir de forma que essa ação possa ser prática universal. Todavia, essa perspectiva vai de encontro à discriminação, seja ela de qualquer tipo (racista, homofóbica, política, religiosa…), presente em grande escala no mundo virtual. Isso acontece porque a falta de criticidade e autonomia de pensamentos leva muitas pessoas a adotarem e reproduzirem discursos de ódio na internet, os quais são feitos meticulosamente pensados a fim de conseguirem mais “adeptos”. Dessa forma, as agressões virtuais se expandem assustadoramente em distintas áreas de preconceitos, realidade inaceitável para o país. Ademais, é imperioso ressaltar que muitos infratores só se aventuram nesse inconcebível mundo de disseminação de ódio pois acreditam que o suposto anonimato os deixa livres de punições. Entretanto, segundo o sociólogo Erving Goffman, o conceito “Mortificação do Eu” afirma que por influência de fatores coercitivos, o cidadão perde seu pensamento individual e junta-se a uma massa coletiva. Dessa forma, o agressor não só perpetua a maldade em seus comentários online como também não tem a devida consciência do erro que está cometendo justamente por estar à mercê de um pensamento persuasivo.
Diante desse contexto, fica claro, portanto, que medidas são necessárias para reduzir o espalhamento de ódio nas redes sociais. Destarte, é mister que o Ministério da Educação promova campanhas para conscientizar as pessoas, por meio de palestras e propagandas midiáticas, de que o respeito não só é importante, como necessário para uma sociedade equilibrada. Tais ações devem ter como principal objetivo incitar os indivíduos a terem pensamento autônomo consciente para não ficarem suscetíveis a terem suas opiniões formadas advindas de textos persuasivos maus intencionados. Além disso, deve-se haver campanhas para instruir a população em como proceder para denunciar casos de preconceitos na internet. Dessa forma, os infratores não terão mais um falso sentimento de serem invisíveis, impunes.