Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 10/10/2019
Um dos grades impasses que permeiam a sociedade brasileira é o discurso de ódio virtual. Nesse bojo, a observação de tal temática se evidencia com o histórico brasileiro somado à falsa impressão de anonimato e impunidade nas redes sociais. Desse modo, urge combater esse desafio com a discussão de ideias em busca da solução do problema.
Em primeiro plano, cabe afirmar que o legado brasileiro marcado por preconceito influencia o discurso de ódio virtual. A esse respeito, vale referenciar o filósofo belga Claude Leví-Strauss, ao constatar que o histórico cultural influencia nas relações sociais. Dessa forma, percebe-se que no passado ocorria no Brasil a escravidão contra indígenas e africanos. Hodiernamente, mesmo com a criminalização de atitudes preconceituosas se evidencia o crime de ódio nas redes sociais contra esses grupos, devido ao passado discriminatório que sub julga a superioridade racial. Sob essa ótica,é válido lançar um olhar crítico ao anacronismo do usuário que propaga crimes de ódio na internet, porquanto destoa da modernidade, que é baseada na ausência de preconceitos. Assim, compreende-se a necessidade dos brasileiros terem respeito uns com os outros para utilizarem de forma coesa a internet.
Outrossim, é válido afirmar que o sentimento de impunidade no meio virtual contribui para o discurso de ódio na internet. À luz dessa assertiva, cabe mencionar a lei do Marco Civil da Internet, que foi outorgada no ano de 2014, que assegura o uso consciente e reflexivo da internet a todos cidadãos. Essa noção, potencializa interpretar que a utilização das redes sociais requer a ausência de frases preconceituosas dos seus usuários. Entretanto, não é isso que se evidenciou na reportagem do Globo G1, sobre as frases pejorativas que foram destinadas a jornalista Maria Júlia Coutinho, a ‘Maju’, devido ao preconceito racial. Isso ocorre por causa da possibilidade de criar perfil falso na internet o que gera o sentimento de impunidade no usuário fato que destoa com a realidade, já que com a denúncia da vítima a polícia encontra o autor de tais difamações com facilidade e em seguida puni o indivíduo por tal ato como crime. Logo, percebe-se a necessidade de se denunciar frases discriminatórias para combater o discurso de ódio virtual.
Infere-se, portanto, a solução desse impasse. Nessa lógica, para que isso ocorra é necessário que o Estado representado pelo Ministério da Educação crie uma Política Nacional, por meio de medidas múltiplas como palestras nos centros educacionais e campanhas nas diversas mídias. Isso deve ser ministrado por educadores para desenvolver nos cidadãos o sentimento de empatia, ou seja, não fazer ao outro o que não quer para si. Dessa forma, ameniza-se o discurso de ódio na internet.