Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 16/10/2019
A violência está presente em todos os âmbitos sociais desde os primórdios da sociedade, sendo um dos principais empecilhos para uma convivência social harmônica. Tendo em vista o avanço histórico, as minorias (defensores de terra, LGBT, mulheres, negros e pardos, religiões entre outros) ganharam um maior espaço de fala, o que ocasionou um aumento exponencial do número de denúncias contra crimes de etnia, gênero ou orientação sexual. De acordo com o estudo realizado pela Anistia Internacional, o Brasil foi o país que mais matou minorias em 2017. Portanto, o país possui índices preocupantes à população. Analogamente, o número de vítimas não está somente no mundo real, mas também no mundo virtual.
Assim sendo, foi realizado pelo blog “Comunica que muda” uma pesquisa direcionada à população brasileira para revelar o índice de intolerância do brasileiro nas redes sociais. Foram analisadas postagens relacionadas a classe social, homofobia, misoginia, racismo, xenofobia, entre outros. Em suma, os resultados coletados nos meses de julho a setembro de 2017 somaram aproximadamente 215.907 menções. Dados como estes evidenciam o grau de intolerância do povo brasileiro e sua desinibição acerca do preconceito contra minorias, que amedronta tal grupo e também ameaça sua convivência social.
Consequentemente, o crescimento da internet e o uso das redes sociais mundiais tornaram mais evidente o problema da intolerância e o discurso de ódio contra minorias. Conforme dados da Organização Não Governamental Safernet (ONG Safernet), entre os anos de 2010 e 2013, o índice de denúncias contra páginas preconceituosas e discriminatórias contra qualquer tipo de minoria aumentou mais de 200%. Em síntese, a conclusão realizada pela ONG demonstra que o mundo virtual tornou-se um meio para disseminação de ideais e publicações intolerantes com minorias, sendo possível disponibilizar materiais para tais ações; isso em razão de que, se a internet não cria a intolerância, ela a reproduz e aumenta sua naturalidade.
Desta maneira, é perceptível que o Brasil possui grandes empecilhos e atrasos perante o respeito e integração de minorias à sociedade. Assim sendo, é necessário que órgãos governamentais como o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) encontrem-se com ONGS como a Safernet para criarem planos de segurança e proteção à minorias, como uma maior severidade da Lei 9.459/97, que considera a discriminação crime sujeito à multa ou reclusão de até cinco anos. Dessa forma, o discurso de ódio contra minorias poderá ser erradicado do país.