Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 15/03/2020
De acordo com o poeta inglês John Donne, o homem não é uma ilha isolada, logo, ele precisa manter relações interpessoais para sobreviver. Nesse viés, na contemporaneidade, apesar da vastidão do mundo, as redes virtuais são capazes de conectar as pessoas, façanha a qual possibilita inúmeras conquistas. No entanto, devido à influência do ambiente virtual aliado ao individualismo da sociedade, os vínculos nessas estruturas de interação estão se tornando, paulatinamente, mais nocivos, sendo um imbróglio a ser combatido.
A princípio, por causa das redes sociais possibilitarem o anonimato, o imediatismo do julgamento, o desdém às consequências acarretadas pelos atos e a facilidade de fazer e desfazer as amizades, os problemas do discurso de ódio, dos preconceitos e das críticas destrutivas são proliferados. Assim, o filme “Never: um jogo sem regras” denuncia a realidade ao retratar a história da estudante Vee, a qual toma difíceis decisões ao entrar em um jogo on-line, no qual seguidores digitais acompanham, julgam e ordenam ela e outros jogadores a realizarem desafios incomuns, no início, e até mortais, no final. Então, em meio a essa pressão de ser sempre o padrão de pessoa imposto pelas comunidades virtuais, as doenças mentais são consideradas o mal do século XXI, segundo a Organização Mundial de Saúde.
Ademais, o individualismo também dificulta a instalação da empatia no corpo social, todavia não o extermina. consoante ao sociólogo francês Emily Durkeim, as civilizações são individualistas em virtude da constante divisão de classes trabalhistas, pela qual estabeleceu um espírito de independência do coletivo nos indivíduos. Em contrapartida, o filósofo alemão Jügen Habermas acredita que mediante a reflexão racional dos próprios interesses em detrimento da promoção do bem comum pode-se alcançar uma democracia mais compreensiva.
Infere-se, por fim, que o convívio nas plataformas de comunicação podem ser mais harmônicas. Posto isto, concerne às redes sociais em consonância com as Organizações Não-Governamentais atuantes na cidadania divulgarem publicações na internet acerca da igualdade humana, como também, promoverem ações solidárias nas localidades sugeridas pelos internautas, a fim de difundirem a união populacional em prol do benefício comunitário. E, por meio do incentivo socioeconômico de empresas e dos civis, as relações na internet serão mais empáticas.