Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 17/05/2020
O episódio “Odiados pela nação”, do seriado televisivo “Black Mirror”, retrata uma realidade distópica, na qual, diariamente, diversas pessoas sofrem com o linchamento virtual. Fora da ficção, é indubitável que a situação descrita assemelha-se com a vivida por muitos usuários das redes sociais: a intolerância e o discurso de ódio na internet tem se tornado cada vez mais comuns. Nesse sentido, não há dúvidas que, gradativamente, a dificuldade em respeitas as diferenças e a rejeição social gerada por isso, chamada de “cancelamento virtual”, corroboram para que o discurso de ódio nas redes socais crie raízes e se transforme em um instrumento de violência.
Convém ressaltar, primordialmente, a dificuldade em compreender as díspares formas de relações humanas, como credo, sexualidade e opiniões pessoais, como principal impulsionador do linchamento virtual, haja vista, com a internet, é mais rápido oprimir e desrespeitar a imagem de alguém. Nesse sentido, destaca-se o caso de opressão sofrido por Vitor Hugo, participante do reality show Big Brother Brasil 20, o qual foi duramente julgado nas redes sociais por sua aparência e orientação sexual. Dessa forma, é inaceitável que, em pleno século XXI, após tantas conquistas sociais, os meios de entretenimento e comunicação sejam fontes primárias de preconceito e subjugação.
Por conseguinte, salienta-se a profunda exclusão social, na qual os indivíduos que sofrem, virtualmente, com comportamentos agressivos estão submetidos, visto que, por conta da Revolução Tecnológica, a adesão às formas de manifestação da tecnologia é imprescindível para ser inserido na sociedade. À vista disso, segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a internet é muito útil por oferecer prazeres imediatos, mas também pode ser uma armadilha para o bem-estar social quando usada de maneira maléfica e desrespeitosa. Assim, urge a intervenção das autoridades competentes para que a intolerância e o discurso de ódio nas redes socais possam, finalmente, deixar de existir.
Logo, indiscutivelmente, mudanças são necessárias para atenuar o problema. Então, o Governo Federal precisa, com a ajuda do Ministério da Justiça e das principais empresas de entretenimento e comunicação, criar um projeto de lei, entregue à Câmara dos Deputados, por meio de recursos capazes de permitir o discernimento de comentários preconceituosos e de impedir a disseminação deles. Em suma, essa ação, que tem a finalidade de agilizar o processo de identificação dos casos de intolerância nas redes sociais, pode, inclusive, contar com a ajuda dos próprios usuários, que, ao presenciarem situações desrespeitosas, as denunciem e assegurem, com isso, o direito de todos de navegar pela internet de forma segura. Somente assim, poder-se-á fazer com que a realidade descrita na série “Black Mirror” permaneça, unicamente, na ficção.