Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 07/06/2020
Adotada pela Organização das Nações Unidas no ano de 1946, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, pretende garantir a base do respeito à dignidade humana. Todavia, os diversos discursos de ódio nas redes sociais representam um grande obstáculo para a concretização de tais preceitos no Brasil contemporâneo. Isso se demonstra, não só pela sensação de impunidade no espaço digital, como também pela disseminação instantânea de conteúdos prejudiciais à coesão e ao equilíbrio social. Por esse ponto, compreende-se que, além de todos os benefícios sociais e educacionais que a internet possibilita para a sociedade, ela também é um local onde se dissemina ódio e violência, proporcionando o anonimato. O mais preocupante, entanto, é que as pessoas estão confundindo a liberdade de expressão com a invasão do espaço do outro com comentários discriminatórios, como ideários racistas, intolerância religiosa, homofóbicos, xenofóbicos e misóginos.
Outrossim, a rápida propagação e as dificuldades para remover esses conteúdos do âmbito cibernéticos que ampliam, profundamente, os efeitos negativos das falas discriminatórias. De acordo com o conceito de “banalidade do mal”, determinado pela filósofa Hannah Arendt, a pior maldade deriva da irreflexão. Sob esse rumo, práticas cotidianas e aparentemente inofensivas, curtidas e compartilhadas de postagens relacionadas ao “cyberbullying”, por exemplo, são bastante prejudiciais e encorajam a persistência dessas ações. Diante disso, para combater a problemática, é imperativo repensar comportamentos diários.
Cabe, portanto, às corporativas responsáveis pelas redes sociais, elaborar alguns mecanismos de denúncia, além de contratar funcionários para fiscalizar as postagens irregulares e retirá-las de circulação o mais rápido possível. A partir disso, as vítimas teriam um sistema rápido, seguro e eficiente para explorarem em um primeiro momento. Ademais, o Ministério da Justiça poderia elaborar um plano para criar delegacias e centros de investigação especializados em crimes virtuais, a fim de diminuir as ocorrências e evitar a impunidade. Por fim, compete à mídia promover campanhas socioeducativas na TV com alguns influenciadores importantes, com o propósito de alertar a população quanto à reprodução de imagens e textos associados ao discurso de ódio e, com isso, reduzir a sua disseminação. Talvez, assim, sob a ótica da teoria de Hannah Arendt, perfaça-se uma nação livre das mazelas da intolerância.