Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 08/06/2020

Como resultado do surgimento da Internet, diversos discursos ofensivos e discriminatórios, antes restritos ao pensamento de alguns indivíduos, puderam ser amplificados e comunicados à milhares de usuários de diversas redes sociais. A fim de amenizar essa problemática e responsabilizar aqueles que a praticam, os esforços políticos para que se cumpra a lei previamente estabelecida têm de ser acompanhados por uma extensa educação da sociedade civil no que se refere a diversidade, inclusão, e respeito aos grupos minoritários.

Sob uma pretensão de anonimato e portanto imunidade perante à justiça, esses indivíduos intolerantes, sejam eles misóginos, racistas, homofóbicos ou xenofóbicos, sentem-se confortáveis para expor opiniões que outrora reservariam à espaços que partilham das mesmas. A Internet, porém, não está fora do alcance da lei e crimes como por exemplo: ameaça, injúria e discriminação, previstos no Código Penal, também podem levar a condenação dos indivíduos que os praticam de forma cibernética. Torna-se evidente a necessidade de responsabilizar aqueles que cometem crimes virtuais, de modo que a Internet não se torne mais um espaço perigoso para grupos que já sofrem violência diariamente.

Somente responsabilizar os criminosos e intolerantes, porém, não garante o fim do discurso de ódio na Internet. Sem a devida conscientização sobre os problemas de se difundir conteúdo preconceituoso, as novas gerações de pessoas não-marginalizadas, expostas às desigualdades estruturais e enraizadas na sociedade, estão fadadas a repetir os erros de gerações anteriores. Fica clara a urgência de mecanismos de instrução que tornem obsoletos quaisquer tipos de intolerância e discriminação.

Portanto, conclui-se que o não-policiamento de comportamentos tóxicos na redes sociais, bem como a falta de entendimento dessa problemática por parte da sociedade civil, fazem do ambiente virtual um espaço perigoso e nocivo à quem é direcionado o discurso de ódio. Para que esse desafio seja superado, o Governo Federal deve, por meio de seus ministérios, garantir que as leis que dizem respeito à segurança na Internet sejam cumpridas de maneira efetiva e também educar a juventude brasileira em relação às consequências negativas da intolerância, a fim de que no futuro as denúncias de injúria, ofensa ou discriminação nas redes sociais diminuam drasticamente, como resultado direto de uma sociedade mais educada, respeitosa e tolerante.