Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 11/06/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que recusavam-se a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito à intolerância e discurso de ódio nas redes sociais, visto que no Brasil a quantidade de ataques cibernéticos estão crescendo em ritmo alarmante, conforme o levantamento divulgado em 2019 pela empresa de segurança cibernética “Fortinet”. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a falta de conhecimento e a carência de debate.

A princípio, a falta de conhecimento apresenta-se como um complexo dificultador. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre como denunciar mensagens ofensivas no ambiente virtual, sua visão será limitada. Pesquisa divulgada pela Safernet (ONG que atua pela promoção de direitos humanos na internet), alega que 40% dos educadores não sabem como denunciar crimes cibernéticos, realidade preocupante que dificulta a erradicação do problema, já que jovens e crianças estão suscetíveis a esse crime.

Outro ponto relevante nessa temática é a carência de debate. Desse modo, Habermas traz uma contribuição importante ao defender a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Diante disso, para que a quantidade de comentários de ódio na internet seja reduzida, faz-se necessário debater sobre. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere a essa questão, uma vez que há pouca discussão sobre as consequências psicossociais que podem atingir as vítimas de ataques virtuais. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo amplamente aumentaria a chance de atuação nele.

Logo medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre a intolerância e discurso de ódio nas redes sociais e como combatê-las no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Ademais, esses acontecimento não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama desafiador e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.