Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 17/06/2020

A Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948, defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, quanto à questão da intolerância e discurso de ódio nas redes sociais. Nesse contexto, torna-se evidente como causas da problemática, a falta de empatia na sociedade, bem como a falta de punições nas ações criminosas que ocorrem nos meios digitais.

Mormente, evidencia-se que a fragilidade das relações sociais é um grande responsável pela complexidade do problema. Segundo Zygmunt Bauman a falta de solidez nas diversas variedades de relações é uma característica da “Modernidade Líquida’’ vivida no século XXI. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica no que tange à convivência virtual entre pessoas. Essa liquidez influi como forte para resolução desse problema. Nesse sentido, é possível notar que os indivíduos atualmente possuem uma falta de empatia para com os outros, principalmente no que diz respeito ao comportamento nas redes sociais, em que publicaram posts sem considerar as diferenças que cada um apresenta e sem compreender o quanto eles podem ser nocivos perante as relações.

Outrossim, a impunidade ainda é um grande impasse para a resolução da problemática. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “a injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da impunidade e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva. Por conseguinte, é notório os inúmeros perfis falsos, chamados “fakes” que são criados por pessoas com a intenção de atacar anonimante outras, com comentários desrespeitosos e até mentiras, justamente por estarem assegurados que ninguém descobrirá quem são verdadeiramente.

Infere-se, portanto, que medidas estratégicas são necessárias para alterar tal contexto. Cabem às Secretarias de Desenvolvimento Social, junto aos influenciadores digitais e empresas de marketing, promoverem campanhas de conscientização, mediante vídeos e publicações em suas próprias redes sociais, transmitindo o quanto a sociedade necessita de atitudes empáticas para o desenvolvimento de todos, seja no ambiente virtual ou não. Além, do Poder Judiciário, cumprir efetivamente com seu papel de investigação e punição de haters violem a integridade moral de qualquer pessoa, utilizando-se se leis recentemente criadas, como a Lei Carolina Dieckmann. Para, que todo o coletivo compreenda seus direitos e deveres como um ser social. Assim, o respeito previsto na Declaração Universal será um direito pleno.