Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 14/07/2020

Embora o século XXI seja marcado pela evolução tecnológica e avanço da inteligência humana, surpreendentemente, é possível perceber que ainda existem pessoas que possuem alguns pensamentos bem primitivos. Analogamente com o aumento da liberdade de expressão, as manifestações de preconceito e discursos de ódio ocupam um grande espaço entre os cidadãos da sociedade atual. O fato de uma pessoa ser discriminada somente pela cor da sua pele, sexo, etnia ou orientação sexual é criticado por muitos, mas a prática ainda é exercida.

O ódio e o preconceito são exercitados, principalmente, na internet, onde é falado tudo o que se pensa, sem a preocupação com o outro ou qualquer tipo empatia. As redes sociais foram desenvolvidas para aproximar quem está longe e estimular a liberdade de expressão, entretanto, elas foram transformadas em plataformas que propagam o preconceito e estimulam a raiva nas pessoas. Em um estudo feito pela Consultoria Santo Caos, 43% dos entrevistados afirmaram ter sofrido algum tipo de discriminação por sua orientação sexual ou identidade de gênero.

Atualmente, o desespero pela imposição da opinião própria faz com que os argumentos sejam substituídos por xingamentos, é muito comum que isso ocorra em situações onde pessoas de opiniões opostas debatem entre si. Geralmente, a falta de paciência também é um fator estimulante para sucessão de episódios como este. Ademais, os xingamentos em uma discussão muito intensa podem levar à violência física. Em 2018, o Brasil registrou 1.685 denúncias de violência contra membros da comunidade LGBTQ+, existem, ainda, os casos não relatados por motivos relacionados à vergonha e o medo.

Entretanto, além de discursos de ódio relacionados à características físicas e orientação sexual, existem, ainda, manifestações antipáticas relacionadas à opiniões políticas. Perto das eleições, é visto que há um aumento nas discussões sobre posicionamentos políticos nas redes sociais, em 2018, a agência de jornalismo investigativo divulgou uma pesquisa que mostra que apoiadores de Jair Bolsonaro realizaram 50 ataques à apoiadores da esquerda durante o período de 10 dias.

Para que o ódio e a raiva enraizados na sociedade sejam controlados, é necessário o enrijecimento das redes sociais em relação à comentários que estimulam esse tipo de discurso. Sobretudo, é preciso que as escolas se mobilizem quanto a esse assunto, precisam ser incentivados o respeito e a empatia, afim de despertar a ideia de que todos são iguais. Além disso, devem ser realizados debates sobre temas diversos, para que seja aprendido que debates têm de ser realizados de forma pacífica e com base em argumentos.