Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 02/08/2020

Tema: Discurso de ódio baseado na liberdade de expressão X responsabilidade ética.

Virtude e Exteriorização

Para o filósofo Aristóteles, práticas em excesso, ou em falta, são fatores limitantes para desempenhar uma prática virtuosa. Nessa óptica, a liberdade de expressão, exercida em bom equilíbrio, torna-se um direito coletivo virtuoso. Entretanto, o exercício demasiado dessa liberdade, em redes sociais, desencadeia diversas discussões ofensivas, o que estimula, assim, os confrontos sociais  que fomentam a cultura do ódio e que acarretam danos morais para diversas pessoas ou grupos sociais.

Em primeira análise, vale ressaltar que, a liberdade de expressão, - que é considerada, historicamente, uma conquista social - hodiernamente, configura um retrocesso para sociedade brasileira, já que, é evidente, em sites de entretenimento, a intolerância por opiniões divergentes presente nas publicações e chats de conversa, o que confirma, dessa forma, que os meios de comunicação não são lugares agradáveis por conta da exagerada liberdade. Com base nesse cenário, indubitavelmente, existe um grande deficitário de empatia e responsabilidade ética perante as publicações nas redes sociais.

Além disso, é incontestável que essas “brigas virtuais” ferem diretamente muitas opiniões diferentes. À vista disso, no livro “1984” de George Orwell, em que o protagonista está sob domínio de um governo totalitário, é notável que os discursos feitos pelo “Grande Irmão”, despertavam ódio e repugnância às ideologias diferentes. Concomitantemente, é perceptível a influência que as expressões  e os discursos ofensivos têm hoje em dia, que, muitas vezes, induzem as a não aceitarem pensamentos opostos. Consequentemente, essas práticas afetam a moralidade de diversos grupos sociais.

Depreende-se, portanto,  que cabe às empresas privadas de mídias sociais e ao Ministério das Comunicações, incentivarem os usuários, mediante a criação de propagandas e postagens benéficas que promovam o respeito e a empatia, a zelarem por uma boa convivência social dentro dos meios comunicativos. Logo, a conscientização dos internautas é  imperiosa para solução desses entraves e, por conta disso, os investimentos fazem-se necessários. Destarte, os discursos de ódio serão coibidos das redes sociais e, além de tudo, a liberdade de expressão tornar-se-á uma prática digna e virtuosa.