Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 20/08/2020
Ao longo da Segunda Guerra Mundial uma das práticas motivadas por crime de ódio foi o regime nazista, que pregava, dentre outras ideologias, o antissemitismo -ódio e preconceito contra judeus-. Paradoxalmente, na sociedade brasileira contemporânea, existe um debate acerca da linha tênue entre liberdade de expressão e discurso de ódio. O primeiro é fundamental para democracia existir, o outro, representa intolerância e falta de empatia, o que acarreta no individualismo e na incapacidade de respeitar o outro. Com efeito, a negligência governamental e a compactuação da sociedade corroboram a intolerância e discurso de ódio na internet.
Em primeiro plano, é válido destacar que o descaso do Poder Legislativo em políticas de melhorias nas leis já existentes, fomenta em uma sociedade individualista e descriminatória. Indubitavelmente, de acordo com Zygmunt Bauman, nós somos responsáveis pelo outro, estando atentos ou não, desejando ou não, então somos responsáveis pelas pessoas antes de tomarmos consciência. Desse modo, as redes sociais ampliaram as manifestações de ódio contra minorias, como homossexuais, o homem fruto de uma sociedade patriarcal impõem uma única forma de sexualidade para manter um modelo heterossexual, assim, controlando a vida das mulheres. Por conseguinte, o desprezo ocorre de maneira livre, dessa forma, qualquer um que fuja do padrão estabelecido acaba sendo desrespeitado.
De outra parte, é fundamental salientar que a escola é o primeiro espaço de socialização de qualquer pessoa, se tornando um lugar de construção de identidades, onde as crianças e adolescentes acabam depositando suas bagagens sociais. Sob esse viés, de acordo com o educador Rubem Alves, existem dois tipos de escola: a gaiola, que propaga conhecimento cognitivo; e a asa, que ensina a arte do voo e forma cidadãos críticos. Dessa forma, no momento em que a família não supervisiona e a escola não desconstrói essas narrativas reproduzidas, “engaiolam” esses jovens e promove incitamento à violência. Assim, é questão de cidadania garantir uma comunicação não-violenta se tornando responsabilidade de todos nós.
Torna-se evidente, portanto, que a negligência do Estado e a compactuação da sociedade estimulam a intolerância e discurso de ódio nas redes sociais. Nesse contexto, cabe à escola aprimorar práticas pedagógicas socioemocionais, por meio de debates que versem sobre cidadania, empatia e solidariedade. E o Poder Legislativo efetivar leis já existentes, promovendo estratégias no combate do discurso de ódio, por meio de fiscalizações mais rígidas e programas nacionais sobre a prática de equidade. Assim, nasce uma nação que se baseará no objetivo da formação de uma cultura escolar cidadã, e orgulhará Zygmunt Bauman.