Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 26/08/2020
A obra cinematográfica “Cinderela”, retrata a vida de uma jovem que é vítima de um intenso ódio por parte de sua madrasta. Fora da ficção, a intolerância e as falas odiosas são fortemente presentes nas redes sociais, já que o Estado encontra-se omisso em punir os criminosos. Além disso, a falta de respeito contra ideologias, religião, raça, orientação sexual ou condição financeira, evidencia uma sociedade intolerante as diferenças, acarretando em um alargamento dos preconceitos sociais.
A priori, consoante a Constituição de 1988, todos são iguais perante a lei. Todavia, tal prerrogativa legal não tem se reverberado com ênfase na prática, uma vez que, conforme o blog Comunica que muda, 84% das menções nas redes sociais sobre o tema racismo e política são negativas. Desse modo, é visto que um dos maiores propulsores para a intolerância e os discursos de ódio na internet, deve-se a impunidade dos infratores nas plataformas, pois o Estado cria poucas políticas públicas que garantam a ocorrência de denúncia. Assim, os criminosos sentem-se confortáveis em efetivar seus preconceitos, como homofobia, misoginia e xenofobia criando um terreno fértil para a disseminação de pensamentos que retiram do outro cidadão de gozar os seus direitos de liberdade e a vida.
Ademais, segundo o inventor Buckminster Fuller, a humanidade cria toda tecnologia certa e utiliza dela por todas as razões erradas. Logo, percebe-se que mesmo com os avanços tecnológicos o corpo social ainda encontra-se refém de inúmeros prejulgamentos, o que faz das redes sociais apenas um reflexo de uma sociedade opressora. Em razão de que, de acordo com o Datafolha, 30% dos brasileiros dizem ter sofrido preconceito por causa da classe social. À vista disso, faz-se imperioso a dissolução dessa conjuntura inflexível.
Portanto, com o intuito de cercear o alargamento das discriminações nas redes sociais e permitir o respeito entre as diferenças, urge que o Estado promova campanhas publicitárias por meio das plataformas digitais, que salientem a importância de denunciar falas que agridem o direito de qualquer grupo, com o objetivo de diminuir as impunidades. Outrossim, é preciso que o Ministério da Educação (MEC), promulgue palestras em ambientes educacionais, como escolas e universidades, sendo essas ministradas por grupos marginalizados da sociedade, como LGBTQIA+ e negros, com o propósito de levantar discussões sobre o respeito ao próximo e em como conviver com as diferenças. Assim, a população atuará de maneira contrária da madrasta de Cinderela nas redes sociais.