Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 01/09/2020
O filosofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, na internet, muitas vezes, a liberdade incita nas pessoas discursos de ódio, tornando vítimas indivíduos e/ou grupos inteiros. Nesse contexto, em virtude não só da escassa abordagem do problema, mas também da lacuna educacional, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.
Em primeira análise, é preciso salientar que a falta de debates é uma causa latente do problema. De acordo com Foucault, na sociedade pós-moderna, muitos temas são silenciados para que estruturas de poder sejam mantidas. Diante disso, verifica-se uma lacuna em torno dos debates acerca dos discursos de ódio existentes na internet, o que contribui com a falta de conhecimento da população sobre tal questão, tornando-a intolerante e condenadora. Diante disso, segundo o portal Comunica Que Muda, apresentou que, em 2017, em apenas 3 meses foram feitas 32.326 menções nas redes sociais — sobre racismo —, e delas 97,6% são negativas. Dessa forma, enquanto o Governo não criar mecanismos rápidos e eficientes para o combate de tal conjuntura, as vítimas dessas agressões continuaram sofrendo sem quaisquer auxílios.
Além disso, a lacuna educacional perpetua o problema, multiplicando casos de agressões nas redes sociais. Consoante ao filósofo Immanuel Kant, o ser humano é resultado da educação que teve. Sob essa lógica, no que tange à intolerância virtual, verifica-se uma veemente influência dessa causa, uma vez que a escola não tem cumprido seu papel no sentido de reverter tal mazela, pois não tem trazido esses conteúdos para a sala de aula, por exemplo, em matérias já criadas como sociologia e filosofia, para que os debates sobre tal temática conscientizem os alunos, a partir do primeiro ano do ensino médio, a fazerem uma análise racional desse mal que assola a nação.
Destarte, uma intervenção faz-se necessária. Portanto, o Ministério da Justiça, como instância máxima da administração dos aspectos judiciários no Brasil, deve criar e divulgar uma campanha nas redes sociais de maior acesso — como o Youtube e Instagram —, por meio do relato de vítimas do discurso de ódio virtual e de agressores já devidamente punidos a fim de estimular a discussão e comunicar a criminalização desses atos perversos. Essa campanha deve ser elaborada com uma linguagem informal, típica das redes sociais, para que sejam atingidos grupos juvenis, que são os principais usuários dessas plataformas. Assim, possivelmente a concepção de Sartre será verificada na realidade brasileira do século XXI.