Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 10/09/2020

A série britânica “Black Mirror”, apresenta um episódio em que Waldo, uma animação gráfica, se insere na política, vulgariza candidatos eleitorais e fica conhecido devido ao conceito de liberdade de expressão defasado, o qual não se limita entre ofensas e opiniões. Fora da ficção, as manifestações públicas ou pessoais não apenas podem se tornar discursos de ódio, como também abre portas para o preconceito e violência entre populações. Dessa maneira, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro.

Primeiramente, vale ressaltar a importância da liberdade de expressão como maneira de se expressar sem que haja represália governamental, censura ou desrespeito ao outro indivíduo. No entanto, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a pós modernidade se caracteriza principalmente por não saber lidar com diferenças. Assim, verifica-se que, ainda que a liberdade de expressão dê a capacidade de ter opinião sobre algo, não define um limite entre o pensamento racional e o abuso desse recurso onde há repressão, agressão verbal e afrontas, acarretando, consequentemente em uma sociedade intolerante, repreensiva e violenta.

Outrossim, a normalização e relativização do discurso de ódio, juntamente com a proibição moral onde não se delimita agentes específicos de combate dificulta a igualdade, autonomia e respeito na sociedade. De acordo com Evelyn Beatrice, biógrafa de Voltaire, mesmo que não haja concordância de opiniões, é necessário defender o direito de opinar. Logo, é inaceitável que se perpetue a violência verbal que oprime e mata povos, direitos e a pluralidade das nações, baseando-se em preconceitos e hierarquia entre pessoas.

Portanto, entende-se que o Estado e Instituições Públicas mudem a realidade da violência transvestida de opinião. Desse modo, é necessário que o Tribunal de contas da União, juntamente com o Ministério da Educação e cidadania, implante nas escolas e locais públicos, projetos que visem o debate como rodas de conversa e diálogos, para que se treine o respeito, cordialidade e argumentação respeitosa às opiniões alheias. Posto isso, o Brasil será mais respeitoso e igual para todos.