Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 10/09/2020

Desde os anos 2000, quando a internet começou a ocupar o cotidiano da maior parte da população, problemas como crimes cibernéticos, discursos de ódios e disseminação de informações falsas surgiram e tornaram o uso da internet menos tolerante e muito mais perigoso para os internautas. Mesmo que diversos mecanismos sejam criados com o objetivo de limitar e deletar comentários ofensivos, o ambiente cibernético continua tóxico. Isso se dá principalmente pela sensação de anonimato que permite os usuários transmitirem quaisquer tipos de mensagens que quiserem e pela falta de informação que a população tem acesso sobre as medidas à serem tomadas quando se deparar com uma situação de intolerância virtual e crimes cibernéticos.

Em primeira análise, ao criar um perfil em qualquer rede social hoje em dia, o indivíduo tem a total liberdade de colocar um nome não correspondente ao seu nome original. Além disso, fotos também não são obrigatórias e o internauta pode se passar por qualquer outra pessoa ou ficar anônimo sem que seja descoberto. Com isso, a sensação de estar por trás das câmeras, sem qualquer tipo de identificação promove uma sensação de livre arbítrio para realizar qualquer tipo de comentário. Assim, o ambiente virtual se torna propício a crimes de ódio e discriminação no qual a chance de ser descoberto é pequena, contribuindo assim para uma navegação tóxica e diversas pessoas insultadas por dia.

Em segunda análise, a maior parte dos brasileiros ainda ignora o quanto são vulneráveis aos cibercriminosos. Isso pode ser justificado principalmente pela falta de aconselhamento aos usuários que, quando se vêem diante de situações preconceituosas e intolerantes virtuais, não sabem a quem podem recorrer e quais medidas devem ser tomadas e, assim, contribuem para que os criminosos continuem atuando sem serem investigados. Por isso, é extremamente necessário que sejam conscientizados sobre o perigo que estão se submetendo e a necessidade de denunciar qualquer tipo de disseminação de ódio e preconceito que encontrarem nas redes sociais.

Portanto, diante desse cenário, é imprescindível que o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em conjunto com o Ministério da Educação, atuam de modo que a internet seja um ambiente mais seguro para os internautas. Isso deve ser feito por meio da criação de um banco de dados que não permite a inserção de um usuário na internet sem qualquer tipo de análise do indivíduo. Além disso, os órgãos devem promover palestras e aulas em escolas e instituições  aconselhando como os usuários devem recorrer à justiça caso sejam alvos de intolerância e ódio na internet ou flagrarem tal situação. Ademais, aplicativos que detectam tais comentários ofensivos e os deletam devem ser investidos pelo governo.