Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 11/09/2020

Na década de 1960, Hannah Arendt, filósofa alemã, por meio da Banalidade do Mal, teoria a qual, entre outros aspectos, alerta a respeito dos perigos da massificação da sociedade, o que acarreta uma multidão sem princípios morais. Nesse sentido, já no século XXI, a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais representam a concretização do argumento de Arendt, uma vez que é evidente na internet a incapacidade de exercer julgamento moral. Assim, é possível inferir que não só a ausência de senso crítico como também a falta de fiscalização contribuem para a continuidade dos discursos de ódio nas redes sociais no Brasil.

De fato, a questão da inexistência do senso crítico na população brasileira configura um dos fatores responsáveis pela perpetuação da intolerância e do ódio na internet. De modo análogo, na sociedade distópica do livro “1984”, de George Orwell , a ausência do senso crítico é utilizada para manipular os cidadãos e para promover o discurso de repúdio na comunidade. Sob esse viés, é possível associar esse aspecto da obra à situação contemporânea, uma vez que, devido à credulidade de parte da população, ela pode ser facilmente manipulada, promovendo, assim como na ficção, argumentos intolerantes e preconceituosos nas diversas comunidades online.

Ademais, a fiscalização precária de discursos de ódio nas redes sociais caracteriza um agente responsável pela persistência de tais atitudes repugnantes no Brasil. Outrossim, devido ao péssimo policiamento desse comportamento, a honra de cidadãos é prejudicada e os infratores saem impunes. Nesse sentido, o “Cidadão de Papel”, teoria elaborada por Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, é uma excelente representação desse acontecimento, visto que essa hipótese defende que os direitos dos brasileiros são assegurados por leis, porém essas garantias se atém ao documento, já que são infringidos constantemente. Portanto, é evidente que o supervisionamento nas redes é inefetivo.

Logo, o precário desenvolvimento de senso crítico e a péssima fiscalização agravam a intolerância e discurso de ódio nas redes sociais. Assim, as mídias televisivas, cumprindo sua função social informativa, devem promover a discussão voltada para a formação do senso crítico. Tal medida deve ser implementada por meio do “merchandising social”, que é a inserção intencional de dados e informações direcionados para um questão educacional e social nas novelas e minisséries. Além disso, o Ministério da Cidadania, cumprindo sua função de promover o desenvolvimento social e da cidadania, deve fomentar maior policiamento de discursos intolerantes e de ódio nas redes sociais. Essa medida deve ser implementada por meio do direcionamento de verbas. Portanto, ambas as ações devem ser implementadas a fim de que esse comportamento criminoso seja combatido.