Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 11/09/2020
No filme “A Rede Social”, a história por trás da criação da plataforma Facebook é contada, explicando como Mark Zuckerberg trai seus amigos para criar o site. Fora do trama, a mídia social atualmente é local de discussões e comentários tão degradantes quanto a disputa de sua criação. Assim sendo, a internet é centro de debates imorais por serem preconceituosos e racistas, demonstrando uma corrente que tenta atuar discretamente da vida real. Em outras palavras, pela aparente anonimidade dos usuários na internet, há um falso senso de segurança que leva o internauta a se sentir livre para expressar o que bem desejar, de conteúdos discriminatórios à ofensivos.
Antes de tudo, é necessário explicitar como uma rede social funciona. Quando um usuário cria um perfil, ela salva as informações de tudo que este acessa, clica e lê, construindo um perfil digital do indivíduo com seus gostos, suas características e sua personalidade. Entretanto, para muitos internautas essa coleta de dados não é conhecida, aparentando-se uma anonimidade a suas ações enquanto online. Dessa forma, comentários racistas, xenofóbicos e derrogatórios são compartilhados com uma falsa sensação de segurança e inconsequência. Como diz Humberto Eco no conceito de “idiota da aldeia” ao criticar as redes sociais: “Os imbecis eram calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel.”. Logo, qualquer um fala o que quiser sem medo na internet.
Por outro lado, é imprescindível explicar o motivo de tais postagens serem tão negativas. Então, evidencia-se que tais mensagens são espalhadas em um meio de comunicação ao qual 90.4% dos millennials (pessoa nascida por volta de 1980 e 1990) tem acesso constante de acordo com a Emarketer. Desse modo, tais conteúdos estão sendo entendidos pelas gerações mais novas e impressionáveis com a norma, espalhando-se ainda mais a mentalidade intolerante propagada. Assim, as mídias sociais se tornam em um encontro de toxicidade, podendo ter severas consequências para a saúde mental de um indivíduo. Conforme diz a Royal Society for Public Health, 70% dos jovens se sentem pior em relação à própria autoimagem por causa dos aplicativos sociais.
Por fim, entende-se que as redes sociais são um fenômeno atual e que serão imprescindíveis para o avanço da comunicação humana, porem possuem uma moderação incapaz de captar todas as mensagens inapropriadas. Portanto, o Ministério da Defesa deve fiscalizar mais eficientemente os comentários das redes socias, trazendo os violadores da lei à justiça. Para tal, deve aumentar o direcionamento da verba pública para o departamento dos cibercrimes, já atuante atualmente. Destarte, espera-se que haja uma melhora no espaço virtual, em que discussões civilizadas e construtivas possam ocorrer sem que mensagens ameaçadoras e desrespeitosas sejam enviadas.