Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 29/09/2020

A música “Tribunal do Feicebuqui” de Tom Zé, satiriza os usuários que empenham o papel de “julgadores” nas redes sociais, analisa-se a superioridade imposta por eles quando procuram nos outros defeitos para julgarem. Nessa perspectiva, é notório que o ódio nas redes é feito por meio de “críticas construtivas”, que na verdade trazem um caráter discriminatório e intolerante. Dentre os fatores que intensificam os ataques virtuais estão a mentalidade estagnada de uma sociedade hipócrita e a cultura do cancelamento.

Em primeiro lugar, vale ressaltar os preconceitos existentes na população, um fator determinante para a persistência do problema. Nesse ínterim, Durkheim afirma que o fato social é a maneira coletiva de pensar, uma vez que crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é adotar esse comportamento também, o que torna sua solução ainda mais complexa. Sob essa ótica, com o advento tecnológico, o cenário virtual é o meio que mais conecta pessoas, consequentemente, o com mais ataques de ódio, devido as atitudes preconceituosas. Sendo assim, necessário uma mudança no aspecto social.

Outrossim, é fulcral mencionar o modo atual de “ensinar” alguém, conhecido como o movimento do cancelamento. Dessa maneira, parafraseando a psicanalista Nayara Borges, o ato de “cancelar” alguém é adotar uma verdade como a única que vale, levando à intolerância, por conseguinte, ao linchamento da pessoa. Inegavelmente, o resultado gerado não será positivo, como dito por Henri Lacordaire: “A injustiça atrai a injustiça, a violência gera a violência.” Desse modo, indispensável tornar o diálogo a principal ferramenta de solução.

Portanto, é mister que haja amparação de meios de ajuda para amenizar o quadro atual. Por parte do Ministério da Educação, adicionar uma matéria curricular em escolas que debata sobre a mudança social perante as redes, implantando eventos escolares com temas específicos, com o objetivo de incluir toda a sociedade e provocar uma melhora no pensamento coletivo. Com o auxílio de ONGs e profissionais da saúde mental, promover eventos por meios das plataformas virtuais sobre a importância da mentalidade saudável com explicações sobre a cultura do cancelamento e seus prejuízos, no intuito de demonstrar que a conversa e a compreensão são a base para uma sociedade harmônica. Para que, os tribunais da internet sejam encerrados.