Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 29/09/2020

No filme polonês “Rede de Ódio” o protagonista Thomasz, ex-estudante de direito, ingressa em uma empresa a qual possui objetivo de arruinar, por meio das redes sociais, a reputação das pessoas. Fora da ficção, percebe-se um contexto semelhante no cotidiano virtual: os ataques de fúria dominam a internet, assim, o ódio nas redes é um problema que carece de denúncia e intervenção. Indubitavelmente, é notório que muitos dos linchamentos estão disfarçados de “opiniões construtivas”, as quais escondem os principais motivos da problemática, o preconceito e a cultura do cancelamento.

Em primeiro lugar, vale ressaltar as diretrizes impostas na sociedade e explicar seu real significado. Desse modo, a Lei 5.250 assegura a livre manifestação do pensamento, contudo, ao usar desse direito é preciso estar ciente de seu limite. Assim, como exposto pelo ditado popular “O seu direito acaba onde começa o dos outros”, consequentemente, os comentários atribuídos com caráter preconceituoso, demonstram não uma opinião, mas um linchamento com base no ódio. Dessa maneira, é necessário ferramentas de denúncia na internet para impedir comentários do tipo.

Outrossim, é fulcral mencionar a superioridade transmitida pelos “canceladores”, os quais atuam virtualmente em busca de imperfeições com o objetivo de corrigi-las. Nessa perspectiva, no Direito há um devido processo legal para justificar uma punição, no qual apresenta-se testemunhas, provas, auxílios, entretanto, no “Tribunal da Internet” não costuma oportunizar sequer o exercício da defesa pessoal. Decerto, deixa-se de discutir ideias e o foco torna-se “incriminar” pessoas. Logo, necessário demonstrar a importância do diálogo e como ele é a melhor solução sempre.

Portanto, é mister que haja amparação de meios de ajuda para amenizar o quadro atual. Por parte da Mídia, explanar os recursos de denúncia existentes nas redes, por meio de postagens e avisos, como o Disque 100, canal do ministério dos direitos humanos que recebe relatos todos os dias, a fim de trazer soluções para o problema. Com auxílio dos donos das maiores redes sociais, como Instagram, Twitter e Facebook, promover ações direcionadas a importância do diálogo, por intermédio de abas com debates seguros e inclusivos, as quais 2 vezes por semana discutam assuntos atuais, no intuito de informar os usuários com informações de todos os campos ideológicos, além de promover a cidadania verdadeira. Para que, empresas como a que Thomasz trabalha sejam vistas de forma indigna e desumana.