Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 30/09/2020
Machado de Assis, em sua fase realista, despiu a sociedade brasileira e teceu críticas aos comportamentos egoístas e superficiais que caracterizam essa nação. Não longe da ficção, percebem-se aspectos semelhantes no que tange à questão do ódio nas redes. Indubitavelmente, é notório a linha tênue entre a crítica construtiva e o ataque revestido de ofensas nas redes sociais, dentre os fatores que dificultam a resolução do problema estão o desrespeito às leis virtuais e o “cyberbullying”. Em primeiro lugar, vale ressaltar a maneira que a internet é vista como uma “terra sem lei”. Nesse sentido, Juliana, coordenadora do Helpline, afirma que a internet possui seus direitos e deveres e quem omitir uma opinião que se configure como crime, responderá pela mesma. Desse modo, percebe-se a seriedade do problema, a segurança de postar utilizando o modo anônimo e ser mediado pelo computador, é possivel realizar-se a identificação do usuário. Assim, necessária uma mudança no comportamento dos infratores a fim de não ser preciso a incriminação. Similarmente, é importante mencionar o bullying online, meio que inicia-se os linchamentos e discriminações no cenário digital. Nessa perspectiva, o caso do “GamerGate”,direcionado a misoginia online, mostra diversos agressores virtuais desrespeitando e proferindo ameaças de morte à mulheres “gamers”. Entretanto, repercutiu devido às vítimas denunciarem e solucionarem as atrocidades com o auxílio das autoridades. Nesse caso, mostrando a força da denúncia como solução para o problema. Portanto, é necessário que haja amparação de meios de ajuda para amenizar o quadro atual. Com o auxílio do Ministério da Defesa, investir na proteção virtual por meio da criação de delegacias “cibercrimes” em todos os estados do país, a fim de possibilitar que em qualquer instância a justiça seja feita. Por parte da Mídia e de toda a sociedade, promover postagens acerca da seriedade dos crimes e da importância da denúncia, como também criar uma “hashtag” em combate aos discursos de ódio e ao cyberbullying, no intuito da dignificação do espaço virtual e proteção de possíveis vítimas. Para que as obras de Machado caracterizem uma sociedade passada e não a atual.