Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 17/10/2020

Segundo a Constituição Federal, no art. 5º, é garantido a qualquer indivíduo o direito de se manifestar, buscar e receber ideias e informações de todos os tipos, com ou sem a intervenção de terceiros, por meio de linguagens oral, escrita, artística ou qualquer outro meio de comunicação. Entretanto, no atual cenário brasileiro, o exagero e irracionalidade na liberdade de expressão acarreta na discriminação e intolerância presente nas redes sociais, comprometendo o bem-estar dos demais cidadãos. Desse maneira, tanto a persistência desses atos nocivos, quanto a importância do posicionamento contrário e conscientização do público, são assuntos pertinentes na atual cenário virtual.

Em primeiro plano, no filme “Rede de Ódio”, produzido pela Netflix, é retratado o panorama: um ambiente cruel e polarizado, a cultura de cancelamento de pessoas e celebridades, homofobia, descriminação e a aversão virtual. Fora da ficção, é notório que o discurso de ódio e a intolerância nas redes virtuais são recorrentes e ministradas por indivíduos e organizações que possuem objetivos de manipular e destruir reputações e cidadãos. Desse modo, consequentemente, tais atos promovem a exclusão de grupos sociais e alienação social, logo o mau desenvolvimento da sociedade em geral.

Em segundo plano, vale ressaltar a importância do respeito e da empatia para desenvolver um espaço virtual benéfico ao público. Ademais, o filósofo e sociólogo alemão, Jurgen Habermas, apresenta a “ética da discussão”, ideia que é baseada na percepção de que a comunicação é a força sem violência do discurso argumentativo, em que o diálogo é mais importante que o convencimento do interlocutor. Dessa forma, é imprescindível que a sociedade virtual cultive o posicionamento reverso à intolerância e ao discurso de ódio, tendo consciência da necessidade de atitudes que promovam a harmonia dos debates e expressões virtuais.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Nesse sentido, para a conscientização da população a respeito do problema, urge que os órgãos governamentais, junto à mídia e aos núcleos tecnológicos, expandam as ações de combate ao discurso de ódio e a intolerância, mediante a criação de aplicativos que identifiquem tais atos e ampliem as divulgação das formas de denúncias e sua importância, a fim de reduzir e findar essa prática nociva. Além disso, cabe ao Ministério da Educação realizar ações educativas para o público geral, por meio de palestras, debates e promoção de fóruns, com a finalidade de conscientizar a população sobre a importância da tolerância e respeito ao próximo, para assim obter o desenvolvimento benigno da sociedade com a liberdade de expressão garantida pela Constituição Federal de 1988.