Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 19/10/2020

As redes sociais levaram as interações nos espaços públicos para um campo público virtual, proporcionando a interação de pessoas pelo mundo. Porém, a internet foi tomada pela polarização de posições políticas e religiosas, como declarações racistas e machistas, homofóbicas e de falsificação de notícias, os quais são reflexos da atual sociedade brasileiras. Nesse sentido, cabe esclarecer o porquê e bem como entender as consequências dos discursos de ódio. Em primeiro plano, quando há na Internet um conteúdo, no qual uma pessoa não concorda, ela se sente pessoalmente atingida, abrindo portas ao surgimento de comentários agressivos, na grande maioria vezes sem fundamentos. No livro “Vigiar e Punir” é abordado as mudanças nas formas de punições aplicadas ao longo dos anos, uma vez que as redes sociais seria uma nova forma, onde as pessoas monitoram, julgam e tentam punir pelo que é publicado. Além disso, a sensação de impunidade encoraja as pessoas às mensagens de ódio, que podem ser publicados de forma anomia. Dessa forma, é possível concluir que o emocional, desejo de julgar, bem como a impunidades são as principais causas da disseminação dos discursos de ódio. Ainda convém lembrar que as consequências vão além do mundo digital, assim as manifestações virtuais tem efeito na realidade na esfera individual e coletiva. Ganha voz, nesse contexto, a fala do filme ‘Paprika’: ‘não acha que os sonhos e a internet são coisas parecidas? Ambas são locais para expressar o consciente reprimido’, ao afirmar que os desejos do subconsciente, que não pode ser manifestada no cotidiano real, são expostos na vida virtual. Todavia, segundo pesquisas psicológicas, essas atitudes gera um ciclo vicioso – sensação de superioridade- que, ao longo prazo, faz surgir grupos extremistas, que vão incorporar comportamentos, criando uma hegemonia de pensamento. Assim, as consequências deixam de ser individuais e passam atingir uma sociedade com todo. Para amenizar esse empasse, é preciso concentrar esforços para combater os discursos de ódio na Internet. Assim, cabe aos sites virtuais a tarefa de criar políticas mais rígidas de combate a intolerância online, por meio de investimento em campanhas, visando que pessoas denuncie usuários e comentários. De modo a completar, o Estado deve intermediar nessas denúncias, a partir de programas virtuais, com vistas a apuração e punição conforme a constituição nacional.