Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 21/10/2020

As redes sociais levaram as interações nos espaços públicos para um campo virtual universal, proporcionando a interação de pessoas pelo mundo. Porém, a internet foi tomada pela polarização de posições políticas e religiosas, como declarações racistas e machistas, homofóbicas e de falsificação de notícias, as quais são reflexos da atual sociedade brasileira. Nesse sentido, cabe esclarecer o porquê da disseminação e bem como entender as consequências dos discursos de ódio.

Em uma primeira análise, é preciso observar que ao expor um conteúdo, o indivíduo (o perfil) está sujeito a sofrer linchamento cibernético, em virtude que demais usuários se sentem pessoalmente atingidos, abrindo portas ao surgimento de comentário agressivos sem fundamentos. No livro “Vigiar e Punir” são abordadas as mudanças nas formas de punições aplicadas ao longo dos anos e, se tratando da conjuntura atual, as redes sociais seriam uma nova maneira, por qual pessoas monitoram, julgam e tentam punir perfis que fogem do senso comum, ou seja, daquilo considerado correto e perfeito. Por outro lado, a sensação de impunidade é o encorajador da propagação das mensagens de ódio, que podem ser publicadas de forma anônima, o que não permite a identificação do ‘dono’. Dessa forma, é possível concluir que o desejo de superioridade e a mentalidade, bem como as impunidades são as principais causas da disseminação dos discursos de ódio.

Ainda convém lembrar que as consequências vão além do mundo digital, assim as manifestações virtuais têm efeito na realidade na esfera individual e coletiva. Ganha voz, nesse contexto, a fala do filme “Paprika”: “não acha que os sonhos e a internet são coisas parecidas? Ambas são locais para expressar o consciente reprimido”, ao afirmar que os desejos do subconsciente, que não podem ser manifestados no plano físico social, são expostos no plano online social, seja por falta de interação social e necessidade do sentimento de superioridade. Todavia, segundo uma pesquisa realizada no site ‘Pragmatismo Político’, essas atitudes geram um ciclo vicioso que, ao longo prazo, faz manifestar, nas diferentes instituições sociais, ideias extremistas, que vão sendo incorporados, criando uma hegemonia de pensamento. Assim, as consequências deixam de ser individuais e passam atingir uma sociedade com todo.

Para amenizar esse empasse, é preciso concentrar esforços para combater os problemas relacionados aos discursos de ódio na Internet. Assim, cabe aos sites virtuais a tarefa de criar políticas rígidas de combate à intolerância online, por meio da criação de campanhas, visando o incentivo de denúncias aos usuários e aos comentários tiranos. De modo a completar, o Estado deve intermediar a apuração das publicações, a partir de programas virtuais, com o intuito de localizar e punir os responsáveis conforme preconiza a constituição nacional.