Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 30/10/2020

O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, na internet, muitas vezes, a liberdade incita nas pessoas a intolerância e discurso de ódio, os quais fazem muitas vítimas. Nesse, contexto, emerge um problema delicado, em virtude da falta de empatia dos agressores, alimentada pela sensação de impunidade.

Primeiramente, percebe-se o individualismo humano como causa da questão. A respeito disso, Zigmunt Bauman defende que a modernidade líquida é fortemente pautada no egoísmo. Nesse sentido, ao interagirem com perfis nas redes sociais, muitos usuários julgam e condenam outros, sem uma análise racional e intolerante de seus crimes, praticam simplesmente movidos pelo sentimento de ódio, agredindo-os e estimulando outros a replicarem tal violência que aparentemente não causaria nenhum dano às vítimas.

Além disso, a impunidade perpetua a situação, multiplicando casos de agressões e ofensas nas redes sociais. Para Aristóteles, a base da sociedade é a justiça. Entretanto, a justiça, na internet, pode ser intencionada para fora dos órgãos legítimos, já que o exercício de denúncia ainda não é uma prática cristalizada no quotidiano brasileiros e os agressores utilizam, muitas vezes, perfis falsos para cometerem atos  agressivos. Dessa forma, ações de combate a impunidade, nesse caso, são dificultadas.

Infere-se, portanto, pois é preciso que medidas sejam tomadas. Para isso, o Ministério da Justiça deve criar e divulgar uma campanha nas redes sociais de maior acesso como instagran, o twitter e o faceboock, por meio do relato anônimo de vítimas do discurso de ódio virtual e de agressores já punidos, a fim de estimular a empatia e comunicar a criminalização dos infratores. Assim, possivelmente, a concepção de Sartre será verificada na realidade brasileira do século xxi.