Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 27/10/2020

Intolerância, conflitos, desrespeito a Constituição e a democracia. Esses são os impactos da bipolarização política e discursos de ódio presentes na internet na atualidade. Sendo esse processo resultado da alienação gerada pelos algoritmos das redes sociais e pela má concepção de liberdade de expressão pelos cidadãos, problemática que afeta diretamente o Brasil e sua população, cabendo ao Estado e empresas de mídiais sociais promoverem ações que mitiguem tais práticas na sociedade.

Vale destacar, em primeiro lugar, que as redes sociais possibilitam a participação política dos cidadãos de forma mais ativa e facilitada. Entretanto, o fenômeno da bipolarização política nesse meio configura uma grave problemática, assim como abordado no documentário norte-americano “O Dilema das Redes” no qual especialistas debatem como a exposição de informações limitadas a opinião do usuário- pelos algoritmos da mídias sociais- fomenta na sua alienação, criando um cenário em que esses indivíduos não sabem reagir quando confrontados com outros pontos de vista, optando pela violência e intolerância quando ocorre-principalmente na área da política. Prova disso, foi a eleição presidencial de 2018 na qual a polarização gerou um quadro em que pessoas que votaram em partidos diferentes fossem vistas como inimigas, demonstrando que a bipolarização acarreta na perda de um dos pilares democráticos: o diálogo.

Além disso, discursos de ódio se tornaram comuns nas redes sociais. Sob essa análise, há quem diga que a expressão de ideiais discriminatórias fazem parte da liberdade de expressão, porém a legislação relativa a essa temática é submissa ao direito à vida e à igualdade- previstos no artigo 5º da Constituição- sendo esses discursos contrários a lei e, por isso, criminosos. Sendo assim, a aplicação do “Paradoxo da Tolerância”-repúdio a discursos intolerantes- apontado pelo filósofo Karl Popper é urgente, uma vez que o ódio ao diferente presente nesses discursos são um risco a pluralidade estabelecida pela democracia.

É mister, portanto, que medidas sejam tomadas para inibir os impactos do discurso de ódio e a bipolarização política nas redes. Para isso, urge que o Ministério da Educação, estimule a prática do diálogo entre os cidadãos- promovendo a preservação desse pilar democrático-, por meio da criação de rodas de conversa nas escolas, nas quais os estudantes conhecerão outras opiniões. Ademais, o Ministério da Cidadania e empresas de redes sociais- como “Facebook” e “Instagram”- devem criar diretrizes que condenem discursos de ódio, excluindo perfis das redes que o façam.