Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 05/11/2020

Na época do governo Jacobino, o jornal francês “o amigo do povo”, dirigido por Jean-Paul Marat, disseminava aos cidadãos discursos justiceiros de extrema fúria àqueles indiciados a julgamento por crimes, levando aos seus leitores assimilarem tais ideias. Nesse sentido, com o advento e a súbita ascensão da rede mundial de computadores, dado seu excesso de liberdade e ultravalorização do fluxo de pessoas, o alcance desse tipo de fala tomou, infelizmente, proporções inacreditáveis. Logo, é indispensável a dissecação acerca das causas no que tange à veiculação de discursos de ódio nas redes sociais.

Em primeira análise, a demasiada autonomia dos internautas na rede deixa-os superexpostos a tal maneira de exposição de pensamento. Desenvolvendo esse raciocínio, segundo o filósofo italiano Humberto Eco, em sua máxima a respeito da problemática; “a internet deu voz aos idiotas”. Dentro dessa lógica, os navegantes da internet, possuindo total controle do que acessam, estão desprotegidos do triste encontro com discursos de ódio, dessa forma, além de corroborar com a notabilidade destes dentro do ambiente virtual, é um grande obstáculo a ser enfrentado.

Em segunda análise, a exorbitante necessidade de manter os usuários nos meios digitais contribui diretamente para esse percalço. Extrapolando tal proposição, o documentário o Dilema das Redes denuncia as maquiavélicas estratégias das mídias sociais para se manterem populares, dentre elas, o desleixo acerca de discursos de ódio deixa evidente essa relação parasitária. Progredindo esse contexto, é irrevogável que as redes digitais são um brusco agente agravador da disseminação daqueles, haja vista sua ampla utilização, assim, ações devem ser tomadas visando combater esse comportamento.

Infere-se, portanto, que a internet é um vetor direto de difusão de opiniões que incitam fúria. Por isso, no intuito de esvaziar a importância destas às pessoas, urge que o Ministério da Educação, junto ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, planejem formas que desenvolvam o senso crítico da população, de modo que ela saiba discernir com precisão aquela forma de fala e repudiá-la, por meio da veiculação apelativa de orientações em instituições de ensino. Enfim, revertendo a realidade deflagrada pelo intelectual supracitado.