Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 17/02/2021

A Constituição afirma que todos os indivíduos são iguais perante a lei, sem a distinção de qualquer natureza. Na esteira desse processo, os inúmeros discursos de ódio presentes nas redes sociais tornam-se empecilhos na garantia e manutenção desse direito social. Nesse sentido, as consequências geradas por esse problema afetam o bem estar social de grupos minoritários e, também, amplifica a intolerância já existente na sociedade.

Em primeiro lugar, é imperioso salientar que a internet proporcionou acesso a diversas formas de conhecimento, mas também deu voz a diversos discursos intolerantes e misóginos. Segundo o filósofo Nick Couldry, a internet deve ser uma ferramenta de democratização, entretanto, tornou-se, também, um mecanismo de opressão e intolerância contra grupos vulneráveis. Nesse sentido, dados do Ministério da Justiça afirmam que o número de denúncias contra perfis que compartilharam conteúdos homofóbicos, racistas e xenofóbicos cresceram em mais de 220% nos últimos 4 anos. Logo, é cristalino que o discurso de ódio presente no cenário virtual afeta diretamente o direito a isonomia presente na Constituição.

Sob essa perspectiva, a aldeia global e amarela carrega em seu bojo as sequelas desse hematoma social. De acordo com o médico e especialista Dráuzio Varella, atacar um grupo de pessoas, mesmo que na internet, geram danos físicos e psicológicos como baixa autoestima, insônia, pressão alta, depressão e podendo levar até ao suicídio. Nessa visão, o filme ‘’Rede de Ódio’’, disponível na Netflix, mostra como são formadas as redes de desinformação que propagam discurso de ódio na internet e incentivam perseguições. Analogamente a ficção, devido a amplificação da intolerância no âmbito virtual, diversos grupos sociais marginalizados – como os negros e LGBTQ+ - acabam sendo alvos de agressões físicas e verbais nos diversos setores sociais. Sendo assim, a sociedade tem um longo caminho a percorrer rumo a solução desse problema.

Dessa forma, medidas compartilhadas entre Poder Público e Sociedade Civil são necessárias para se combater esse estigma social. Nessa égide, cabe ao Ministério da Justiça investir numa maior punição a crimes relacionados a intolerância, de qualquer grau, na internet, fazendo com que os agressores sejam, de fato, punidos por qualquer discurso discriminatório. Ademais, as escolas devem criar projetos - voltados aos alunos e toda comunidade – com o intuito de compartilhar as consequências de compartilhar ou fazer qualquer manifestação de ódio no ambiente digital, compartilhando histórias de pessoas que tiveram suas vidas afetadas devido a esse ato, tornando os indivíduos mais tolerantes na internet. Feito isso, a igualdade será, de fato, uma realidade.