Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 07/05/2021
O discurso de ódio recentemente passou a ser muito discutido mundialmente, uma vez que o ataque deliberado às diversidades tem se tornado cada vez mais recorrente nas redes sociais. Por meio de ofensas e ameaças, o preconceito e a intolerância — movidos pela sensação de invisibilidade e impunidade das redes sociais — fomentam perseguições dentro e fora da internet. Tal problemática se agrava pela falta de registros e demora na responsabilização legal, em vista disso, faz-se necessário ações imediatas do Estado e das empresas responsáveis.
De acordo com o filósofo Jean-Paul Sartre, a liberdade é a condição ontológica do ser. Assim, o ser humano é livre quando faz escolhas e a responsabilidade disso é a limitação de sua liberdade. Assim sendo, analisando o fato das redes sociais e a internet como um todo criarem um espaço para o anonimato, nota-se que liberdade na escolha de palavras se expande e a responsabilidade por elas desaparece. Deste modo, essas falas por sua vez, autorizam pensamentos perigosos e ocasionando sérios problemas psicológicos e físicos com todos que tenham os mesmos “rótulos sociais” — negros, LGBTQIA+, mulheres, nordestinos, religiões de matriz africana.
Desde 2006, a SaferNet (central de denúncias não governamental para crimes cibernéticos) recebeu e processou mais de 4 milhões de denúncias anônimas em 105 países. No Brasil, só em 2018 foram registrados mais de 12 mil crimes de ódio — conforme pesquisa realizada pela ONG Words Heal the World — 70% das denúncias foram motivadas por preconceito racial e 18% em relação à orientação sexual. Ademais, a falta de procedimentos formais para denúncias e a falta de informação corroboram com a descrença na justiça, gerando uma “terra sem lei”.
Portanto, percebe-se que é extremamente crucial a criação de medidas que impeçam, a nível mundial, a disseminação de conteúdos preconceituosos e ameaçadores — englobando todos os usuários sem qualquer distinção. Logo, a ONU em conjunto com os chefes de Estado, deve criar tratados internacionais e desenvolver uma inteligência artificial (IA) única que monitore e registre postagens e comentários com tais dizeres. A fim de criar processos legais para possibilitar o julgamento do acusado e assim, a longo prazo cessar a reprodução do ódio online.