Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 28/04/2021

Em uma entrevista concedida ao jornal “O Globo”, a jornalista Majú Coutinho relata que recebe constantemente mensagens de ódio em suas redes sociais. No entanto, esse caso não é apenas um problema isolado, visto que se observa um aumento da intolerância e discurso de ódio no mundo digital. Dessa maneira, para combatermos esse fenomêno é preciso entender o direcionamento dessa oratória contra categorias marginalizadas e a falta de alteridade na sociedade.

Deve-se pontuar, de início, que a intolerância e ódio sempre atingi uma categoria espécifica, como por exemplo, negros e homossexuais. Haja vista que, segundo Freud, no livro Psicologia das Massas é retratado que para manter uma coerção social é estabelecido um inimigo em comum. Nesse sentido, percebemos esse grave problema nas redes digitais, visto que o discurso de ódio nas redes sociais é direcionado as minorias sociais, com o pretexto delas apresentarem perigo à ordem social.

Além disso, é evidente que a falta de alteridade é responsável pela oratória da repulsão ao outro. Pois, conforme o filósofo Emmanuel Levinás, alteridade é entender o outro, proporcionando a ele o direito de existir. Desse modo, os ataques de ódio na internet são causados pela ausência de respeito a identidade dos demais sujeitos. Assim, esse empecilho ocasiona um aumento da intolerância, pois ao ignorar a existência de determinados indivíduos é legitimado a ira nas redes informacionais.

Portanto, medidas são necessárias para a resolução dessa conjuntura. Logo, cabe ao Poder Legislativo, órgão responsável na elaboração e revisão de leis, criar um projeto socioeducacional que promova alteridade na população. Nesse aspecto, isso irá ocorrer por meio de terapia em grupo para pessoas que produzem discursos violentos nas mídias. Ainda, será preciso conscientizar a população sobre a importância da tolerância e diversidade, através de eventos culturais. Desse modo, será atingido o objetivo de combater tais entraves, como por exemplo, o caso da jornalista Majú Coutinho.