Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 30/04/2021

A Primavera Árabe foi um movimento contra a ditadura no Oriente Médio. Nesse contexto, as redes sociais desempenharam um papel fundamental quanto ao compartilhamento e à divulgação de opiniões que viabilizaram grandes manifestações. Contudo, apesar de o contexto histórico ser positivo, a mesma liberdade de expressão é utilizada para justificar o discurso de ódio, transformando um ato que deveria ser democrático em algo prejudicial a todos. Dessa forma, cabe analisar os impactos deste comportamento nocivo na hodiernidade.

Em primeiro plano, sabe-se que o espaço público, seja este midiático ou real, deve ser democrático, mas também consciente. Nessa perspectiva, cabe perfeitamente a narrativa da filósofa Hannah Arendt a respeito da preservação do espaço público: é a única forma de assegurar as condições práticas da liberdade e da cidadania. Partindo desse pressuposto, a exemplo dos conflitos gerados a partir da intolerância à opinião política alheia, que são, para além de imorais, uma grande contradição aos direitos e os deveres defendidos pelos próprios cidadãos que prezam pela não-censura de opiniões.

Em seguida, evidencia-se, a partir dos conflitos gerados, bipolarização social. Nesse sentido, é importante ressaltar a influência digital, na qual os algoritmos que personalizam as informações, individualmente, tendem a dividir a sociedade frente às questões sociais. Subsequentemente, passando a privar essas pessoas de outras opiniões para que, a partir de uma análise, meçam a verdade a ser seguida. Dessa maneira, cabe perfeitamente o discurso do psicanalista Sigmund Freud,”o pensamento é o ensaio da ação”, para exemplificar o ocorrido com o presidente Jair Bolsonaro que, após inúmeras ameaças nas redes sociais, foi vítima de atentado durante sua campanha partidária em 2018 .

Logo, medidas são necessárias para frear o discurso de ódio nas redes sociais, a fim de propiciar o bem-estar comunitário no mundo virtual e no real. Portanto, o Estado em parceria com os donos de empresas, como o Facebook, deverão criar campanhas na mídia - grande difusora de informação e um dos principais veículos formadores de opinião- com profissionais influenciadores, para promover uma reflexão nacional. Além disso, os influenciadores discutirão o tema através de palestras e posts nas redes sociais com a finalidade de alcançar o maior número de pessoas possível. Por fim, é importante que a população se encare como responsável pelo problema, pois, de acordo com Platão, “o primeiro passo para mover o mundo é mover a si mesmo”.