Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 27/06/2021

A comunicação sempre esteve presente em todas as sociedades, moldando a forma como ela se relacionava. Hoje, com um sistema globalizado de informação, as redes sociais tornaram-se importantes para emitir suas opiniões. Porém, essas “opiniões” geralmente são apenas discurso de ódio, uma problemática atual que se mostra crescente. Atrás de perfis falsos juntamente com o anonimato, muitas pessoas se sentem confortáveis ​​em disseminar um preconceito já existente, utilizando o discurso de “liberdade de expressão”.

Redes sociais como Twitter, Facebook e Instagram permitem aos usuários a facilidade de criação de perfis diversos, desse modo, muitos se escondem no anonimato. É inegável que o Brasil é um país preconceituoso, tendo números escandalosos de crimes motivados pelo preconceito. Como o caso recente da mulher transexual que foi queimada viva em Recife, ou como mensagens racistas que a ganhadora do concurso de beleza de Minas Gerais ouviu. Portanto, é possível entender que a aversão à minoria só está sendo escancarada pois os usuários, que já eram intolerantes, se sentem confortáveis ​​em divulgar suas “opiniões” pelos perfis falsos e sem identificação pessoal.

Dessa maneira, se o ambiente criado nas redes sociais se torna cômodo, a disseminação de ideias de intolerância será propagada. O discurso do “politicamente correto é chato” ou “geração mimimi” ou “hoje tudo é preconceito” é disseminado quando um crime (racismo, homofobia ou violências no geral) é apontado. Dessa forma, há uma crescente junção de pessoas com uma mesma ideologia em certos grupos. Onde os seus “ideias” não são contestados. Nesses espaços, muitas vezes privados, corriqueiramente a impunidade por crimes cibernéticos prevalecentes. Mostrando uma falha no sistema jurídico e na própria rede social.

Segundo a ONG (organização não governamental) Safernet, entre 2010 e 2013 aumentou em 200% denúncias preconceituosas nas redes. Embora a liberdade de expressão seja garantida pela constituição, esta não isenta do jugamento por crimes de ódio. Sendo assim, é necessário que esses casos deixem de ficar impunes.

Por conseguinte, para que as redes sociais se tornem um ambiente sem ódio é necessário que seja feito um monitoramento eficaz do conteúdo postado. Penas mais severas, monitorar termos certos, cancelar perfis denunciados e ter a obrigatoriedade de identificação, são essenciais que devem ser realizados pelo Ministério da Cidadania junto aos correspondentes das redes sociais no Brasil. A fim de que a internet deixe de ser um espaço livre para a manifestação da hostilidade, e torne um espaço onde usuários preconceituosos não sejam isentados de seus crimes.