Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 08/07/2021
No clipe “Take me to church”, do cantor Hozier, evidencia-se a triste perseguição que um casal gay sofre pelos seus conterrâneos, sendo que, no fim, um deles é assassinado de forma brutal. De maneira análoga, assim como no mundo físico, as minorias também são perseguidas no ambiente cibernético. Nesse sentido, em razão de um ambiente propício à destilação do ódio e de péssimos exemplos de indivíduos famosos, emerge um problema complexo — o qual precisa ser revertido urgentemente.
Diante desse cenário, vale destacar que o conforto e o anonimato, somados à falta de empatia humana, são um forte motivo à grande presença de ódio na web. Sob esse ângulo, consoante o jornalista Carlos Heitor Cony, a internet é poluidora, não no sentido ecológico — mas no espiritual. Sendo assim, ao se observar o modo em que o povo usa os veículos digitais, percebe-se que muitos não têm noção de que a sua própria liberdade de expressão acaba quando se entra no espaço do outro, já que comentários discriminatórios são bastante comuns, por exemplo, nas redes sociais, o que mostra o alto nível de toxicidade desses locais. Assim, enquanto a ignorância no que se refere a essa situação calamitosa se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com este problema: o discurso de ódio.
Ademais, é importante salientar que a forma como uma parte da mídia apresenta as minorias ao povo é outro forte motivo à proliferação do preconceito. Nesse viés, conforme a filósofa Hannah Arendt, o pior mal é aquele visto como algo cotidiano. À vista disso, ao se analisar alguns conteúdos presentes no ciberespaço, nota-se que a aversão às diferenças é algo bastante forte, visto que, por exemplo, o apresentador Sikeira Junior, em seu próprio programa, teve total liberdade — e público defensor — para chamar a comunidade LGBT de “raça desgraçada”. Diante disso, é bastante evidente o quanto tais profissionais devem ter uma alta responsabilidade acerca do que vão falar e, sobretudo, ter conhecimento sobre os fenômenos sociais. Logo, a manutenção de uma mídia intolerante representa um grave retrocesso e causa um dos mais graves impasses para Harendt: a banalidade do mal.
Infere-se, portanto, que a imprensa, a qual tem papel fundamental na organização, legitimação e curadoria das informações, por meio do Instagram, crie oficinas, as quais contarão com a presença de profissionais qualificados, por exemplo, psicólogos, assim como vítimas da discriminação coletiva. Diante do pressuposto, tal projeto, terá a finalidade de tornar os internautas mais empáticos e abertos às diferenças. Por sua vez, o Senado Federal deve criar leis para punir aqueles que propagam ofensas digitais — no caso do Skeira Júnior, exigir que ele seja demitido —, com o intuito de assegurar que eles não repitam tais atos novamente. Dessa forma, espera-se frear a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais e garantir que a situação de “Take me to church” seja apenas arte.