Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 20/07/2021
Na visão do filósofo Hobbes, em sua Teoria Contratualista, o Estado e a população deveriam fazer um contrato social para que ambos pudessem desenvolver a segurança, visto que “o homem é o lobo do homem”. Analogamente, nos dias atuais, mediante o pagamento de impostos, os brasileiros esperam que o governo garanta a proteção de todos, até mesmo na web. Contudo, essa não é a realidade do Brasil devido à intolerância nas redes sociais. Sob essa ótica, compreender esse cenário é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que o bullying virtual e a opressão de minorias são notados.
É preciso considerar, antes de tudo, que, com a ascensão da Terceira Revolução Industrial, o meio técnico-científico-informacional consolidou-se e as pessoas passaram a conviver com a fácil interação em mídias sociais. No entanto, juntamente a essa facilidade veio a crescente violação moral dos usuários. Nesse sentido, o cyberbullying, que é a intimidação e a hostilidade do sujeito na internet, faz-se presente. Prova disso é que, segundo o site “Estadão”, 1 em cada 4 jovens já sofreu ofensivas no meio virtual. Tal conjuntura se relaciona com a “Alegoria da Caverna” do filósofo Platão, o qual salienta que a incorporação do senso comum, por parte do indivíduo que não conhece o diferente, proporciona falta de empatia, de forma a demonstrar a urgência de medidas efetivas para sanar tal contenda.
É válido ressaltar, ainda, o Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o qual busca garantir o direito à liberdade de expressão e sua transmissão em quaisquer meios. Porém, observa-se um distanciamento entre o que é instituído e o que ocorre, haja vista que os desafios de reafirmar a livre opinião vão além de direitos ou leis. Desse modo, é notório o discurso de ódio proferido aos grupos minoritários. Tal contexto é ilustrado pela pesquisa da organização não governamental (ONG) SaferNet, a qual destaca que houve um crescimento de 200% das denúncias contra sites que disseminam conteúdos machistas, homofóbicos, racistas, etc. Por essa razão, urge a necessidade de ações do governo para minimizar tal problemática.
Evidencia-se, portanto, que são diversas as formas de agressividade promovidas no espaço digital. Para contrapor as situações, o Ministério da Educação deve estimular o sentimento de empatia nas escolas, por meio de palestras e aulas, as quais abordarão assuntos como moral e ética, a fim de evitar manifestações ofensivas no ambiente cibernético. Outrossim, cabe ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em ação conjunta à mídia, elucidar as famílias quanto à importância de reconhecer as diferenças dos cidadãos, por intermédio de informativos transmitidos em programas televisivos, com a finalidade de incentivar o respeito entre as pessoas na rede. Destarte, será possível conter tais impasses, à medida que a administração pública brasileira siga o legado de Hobbes.