Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 09/08/2021

A jornalista Maju Coutinho relatou, mais de uma vez, que sofre ataques raciais e de gênero em suas redes sociais, por ser uma mulher negra que tem muita visibilidade. De maneira análoga, é, principalmente, nas redes socias que ocorrem a intolerância e os discursos de ódio. A má influência legislativa, bem como a indiferença da população corroboram com a problemática.

A priori, vale ressaltar que o baixo rigor das leis perante atos de crimes na internet exerce uma influência legislativa negativa, o que perpetua o problema. Segundo pesquisadores da chamada Escola de Chicago, criadores da “teoria das janelas quebradas”, se uma janela de um edifício for quebrada e não receber logo reparo, a tendência é que passem a jogar pedras nas outras janelas, e, posteriormente, passem a ocupar o edifício e destruí-lo. Da mesma forma, são os pequenos crimes cometidos na internet, que, se não forem combatidos de maneira efetiva, podem tomar proporções maiores tornando o ambiente da internet um lugar sem impunidade. Consequentemente, mais pessoas começaram a cometer esses pequenos delitos.

Ademais, a indiferença da população ao presenciar a recorrência de posts com ideias intolerantes e que propagam o ódio, é outro fator que colabora com a problemática. De acordo com o sociólogo Zigmund Bauman, a sociedade contemporânea vive a “modernidade liquida”, período em que relações econômicas são mais importantes que as sociais e humanas. Destarte, as pessoas não se importam com o que é dito às outras, contanto que tirem vantagem da situação. Como em um comentário feito na internet que recebe muita visibilidade independente do que é expressado nele, com likes e comentários.

Portanto, medidas são necessárias para resolver tais impasses. A Polícia Federa, deve investigar e combate crimes de intolerância e discurso de ódio cometidos na internet, pois é o órgão responsável pela aplicação das leis com eficiência e rigor, por meio de denúncias de comentários e publicações preconceituosas feitas nas próprias redes sociais, para que esse ambiente de interação social seja justo e agradável para todas as pessoas. Os canais de comunicação, como televisão e rádio, devem também criar valores, por meio de campanhas na mídia para informar e conscientizar a população sobre esses crimes cometidos na internet. Dessa forma, ataques preconceituosos, como os cometidos com pessoas como a jornalista Maju Coutinho, poderão ser combatidos e diminuirão.