Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 23/08/2021
No episódio “Odiados pela nação”, da série “Black Mirror”, é retratado a sequência de ataques virtuais entre usuários de redes sociais, os quais ocorrem de forma opressiva, intolerante e desumana. Fora da ficção, os discursos de ódio fazem parte do cotidiano da sociedade contemporânea. Nesse sentido, é premente analisar a existência de limites à liberdade de expressão e a perda da empatia da sociedade hiperconectada.
Em primeira análise, é lícito postular que o direito à expressão não é desprovido de limitações. De acordo com a Constituição Federal de 1988, todos têm o direito à liberdade de expressão, entretanto, o anonimato é vetado. Em contrapartida, na esfera virtual os ataques são, em sua maioria, feitos de forma anônima, o que os torna mais ofensivos. Como evidência do supracitado, o sociólogo Byung-Chul Han afirma que a comunicação anônima, facilitada pelo meio digital, opera a destruição massiva do respeito, em outras palavras, o anonimato utilizado pelos opressores ultrapassa os limites da liberdade e da ética. Dessa forma, é importante o ensino aos futuros cidadãos do respeito ao próximo e a constituição.
Faz-se mister salientar, ainda, a perda de empatia no mundo pós-moderno. Nessa óptica, o filósofo Manuel Castells fala sobre a falta de dissociação entre o virtual e o real e, concomitantemente, o esquecimento social de que por trás dos perfis nas redes existem pessoas reais. Como consequência disso, os seres humanos são desprendidos de seus sentimentos e se tornam perfis que são atacados com xingamentos, ameaças e abuso psicológico. Desse modo, o respeito se esvai visto que a intolerância impera, assim, é relevante a inversão dessa lógica.
Infere-se, portanto, a necessidade de medida apta a intervir nessa problemática. Logo, urge que o Ministério da Educação, por intermédio da maior parcela dos tributos populacionais, inclua a disciplina de ética e cidadania nos ensinos infantil, fundamental e médio, com o objetivo de ensinar desde os primeiros anos a relevância do respeito e do discurso responsável e, consequentemente, essa futura sociedade será composta de indivíduos éticos e capazes de cumprir com princípios constitucionais. Desse modo, atitudes vistas na série não representaram a sociedade.