Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 26/09/2021

No ano de 2017, a cantora norte-americana Katy Perry confessou ter sofrido de problemas psicológicos após uma onda de ataques, contra a mesma, na internet. A artista afirmou ter lidado com uma depressão e até mesmo chegou a se internar em uma clínica psiquiátrica, para recuperação de sua saúde mental. Com esse e outros milhares de casos, conseguimos perceber que a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais comprometem a qualidade de vida das pessoas e pode até mesmo matar. Em contrapartida, o Governo Federal anunciou nas últimas semanas uma medida provisória que dificulta a retirada de conteúdo nocivo no mundo virtual.

A internet tem se tornado, nos últimos anos, um veículo pelo qual as pessoas se sentem livres para se expressar. Devido a sensação de anonimato causada pelas telas, as pessoas são convidadas a opinar sobre os mais diversos assuntos que não o fariam, por falta de coragem ou de apoio, na sua própria realidade. E como disse George Bernard Shaw “O ódio é a vingança do covarde.”, visto que certa parcela da população acha nas redes socias um meio onde pode propagar todo o seu ódio, sem temer, pois pensam que não será responsabilizada por isso. Logo, os ataques virtuais têm aumentado com o tempo e, muitas vezes, esses ataques vulnerabilizam e põe em risco a saúde mental das vítimas. Em alguns casos, esses ataques podem ser gatilho para um suicídio, como o que ocorreu com Felipe Santos, de 16 anos, filho da cantora Walkyria Santos, que se matou após ofensas homofóbicas.

Recentemente, o Governo Federal anunciou uma medida provisória em que determina que as redes sociais apresentem justa causa antes de remover qualquer conteúdo de suas plataformas. O que seria proposto como uma maneira de dificultar a censura, acaba sendo uma maneira de facilitar a vinculação e a propagação da intolerância e do discurso de ódio. Isso porque, muitas vezes, os mesmos não se apresentam nessas designações e sim disfarçados de opinião civil. Antes, as redes podiam remover qualquer conteúdo que violava suas regras (as quais são geralmente voltadas para proteção do usuário), sem apresentar justificativa prévia.

Em conclusão, para combater a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais, é preciso que o Governo Federal recue com a nova medida e faça alterações em seu projeto, junto com o Ministério das Comunicações, para que a intenção inicial dessa medida não atrapalhe o controle de ataques cibernéticos. Ademais é preciso que o Tribunal de Contas da União libere verba para que o Ministério das Comunicações também possa realizar uma campanha, vinculada nas telecomunicações, que alerte a população brasileira das ameaças a vida que a intolerância e o discurso de ódio podem causar. Caso isso seja cumprido, Katy Perry, Lucas Santos e outros muitos não serão mais vítimas dessa violência.