Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 24/09/2021
A série juvenil norte-americana “Gossip Girl” põe em pauta a grande influência da mídia no contexto moderno, haja vista que retrata a história de inúmeros adolescentes que têm as vidas expostas em um blog e são, constantemente, julgados pelos leitores do site. Embora ficcional, o enredo dessa produção televisa demonstra uma conduta que persiste na realidade brasileira e está cada vez mais frequente: os discursos de ódio. Essa problemática testa os limites da liberdade de expressão e mostra-se quase que enraizada no meio coletivo, em virtude tanto da noção de isenção proporcionada pelas plataformas digitais, quanto de um ambiente familiar debilitado.
Em primeira análise, cabe destacar como o advento das tecnologias de comunicação, por meio do fenômeno globalizante, potencializa esse cenário, visto que o panorama virtual concede uma falsa perspectiva de liberdade sem, contudo, responsabilidade na manifestação de narrativas nocivas. A partir disso, as mensagens de cunho preconceituoso e excludente acharam no possível anonimato e na sensação de impunidade oferecidos pela internet uma maneira de impulsionar o “hate” em plataformas como Instagram e Twitter. Desse modo, em especial os grupos socialmente vulneráveis tornam-se mais passíveis aos discursos intolerantes, a exemplo da ganhadora do programa Big Brother Brasil, Juliette Freire, que sofreu ataques xenofóbicos por parte de inúmeros internautas no início da exibição.
Ademais, é imperativo ressaltar o desenvolvimento de cidadãos inseridos em um meio familiar frágil como um dos fatores que catalisam o imbróglio. Nesse sentido, conforme o filósofo Émile Durkheim, a família é uma instituição social responsável por moldar, através da consciência coletiva, o comportamento dos indivíduos em sociedade. Nesse sentido, em consonância com as ideias do autor, a debilidade das relações parentais corrobora, fortemente, a construção de pessoas suscetíveis às atitudes de caráter agressivo e desmoralizante, tais como os discursos de ódio presentes na internet. Sob esta ótica, provoca-se um aumento de falas ofensivas nas redes de comunicação, o que pode gerar, em consequência, graves sequelas para a vítima.
Verifica-se, portanto, a necessidade de medidas capazes de minimizar essa preocupante conjuntura. Para tanto, urge que o Governo Federal garanta, a partir da intensificação das leis virtuais, uma melhor fiscalização do mundo online, no intuito de desconstruir a ideia de impunidade nesses espaços e, com isso, diminuir os crimes de ódio. Outrossim, compete à sociedade, em conjunto com o aparato midiático, promover a conscientização dos indivíduos, por intermédio do uso do diálogo e de campanhas educativas propagadas nas redes sociais que visem ao desenvolvimento de cidadãos pacíficos e empáticos. Dessa forma, tornar-se-ia possível evitar o quadro abordado em “Gossip Girl”.