Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 24/09/2021

No filme " A rede de ódio" o protagonista, Tomasz Giemza, utiliza as redes sociais como ferramenta para criar e difundir discursos manipuladores que ocasionam reações de ódio e violência generalizados nos indivíduos. Da mesma forma, discursos de intolerância que, historicamente, fazem parte da sociedade, têm crescido drasticamente em virtude das telecomunicações.

Em primeira análise, é importante compreender porquê falas discriminatórias não podem ser consideradas opiniões passíveis de livre expressão. De acordo com o Artigo 5º da Constituição Federal, os cidadãos tem a liberdade de expressar-se de forma não anônima. No entanto, a realidade brasileira é o oposto: pessoas se escondem atrás de usuários e contas falsas para disseminar a cólera contra minorias. Dessa forma, além de violarem seu dever de não discriminar outrem, vão em contrapartida à Ética Universal, conceito cunhado pelo filósofo Immanuel Kant, que diz que uma atitude é considerada correta apenas se puder ser aderida pela coletividade.

Ademais, a banalização do mal faz com que a sociedade veja a  malevolência como natural  e passe a ignorá-la com o tempo. Somado a isso, a tendência de reproduzir comportamentos agressivos e excludentes sem maior análise, é agravada pelo fato de o homem ser moldado ideologicamente para agir de modo massificado, como afirma teórica alemã, Hannah Arendt. A exemplificar essa problemática, alguns dados obtidos pela ONG Safernet, apontam que entre 2010 e 2013, as denúncias contra páginas que divulgaram conteúdos preconceituosos aumentou em mais de 200%.

Logo, é essencial que o Ministério das Comunicações, junto de ONGs, fomente, por meio da própria Internet e outros veículos de comunicação, campanhas informativas de forma a conscientizar os usuários das redes sociais para que, assim, os discursos cibernéticos violentos sejam uma realidade exclusiva das telas de cinema.