Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 12/10/2021

O filme polonês ‘’Rede de ódio’’, tem como protagonista o jovem Tomasz, que ao ser contratado por uma agência que visa desgastar figuras públicas, tem como aliado o ódio e a internet pra disseminar falácias. Na trama, reflexões acerca da perpetuação de preconceitos e a impunidade podem ser relacionados à realidade brasileira, quando se trata da Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais. Nesse sentido, é preciso entender suas causas e prováveis soluções.

A princípio, é possível perceber que a persistência da intolerância se deve a questões socioculturais. Durante a formação do Estado brasileiro, os meios de comunicação eram restritos à TV, rádios e jornais. Entretanto, com o surgimento das redes sociais, a possiblidade de opinar e ser ouvido promoveu espaço a todos. Todavia, a falta de limites entre o uso da liberdade individual e a intolerância banalizam e naturalizam o ódio, criando estereótipos preconceituosos em minorias na sociedade. Analogamente, segundo a Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos pelos indivíduos. Dessa forma, é possível perceber que padrões sociais podem perpetuar o preconceito na sociedade.

Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores político estruturais. Isso se deve ao fato de que, a partir da impunidade em relação a atos que manifestem discriminação, o seu combate é minimizado e subaproveitado. O que eventualmente gera consequências sociais como: violação de direitos individuais e coletivos ja garantidos, mais também deprecia a diversidade cultural que o país possui. Nessa perspectiva, o filósofo Hans Jonas segundo o principio da responsabilidade, defende que o desenvolvimento tecnológico mal utilizados pode conduzir problemas sociais e culturais. Nesse viés, é notório que a omissão do Governo em episódios de exclusão pode reproduzir problemas sociais, como o discurso de ódio nas redes.

Torna-se evidente, portanto, que a intolerância e o discurso de ódio nas redes socais apresentam entraves que necessitam ser revertidos. Logo, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com a mídia, promova palestras e campanhas midiáticas, com especialistas no tema e através de relatos de pessoas que sofreram com o discurso de ódio nas redes, de maneira a ratificar a importância da dispersão de culturas retrogradas na sociedade e promover a conscientização sobre o temática. Ademais, o Ministério da Economia, em adição com o Poder Judiciário, por meio do redirecionamento de verbas, deve criar centros de delitos intolerântes e abrir de canais de denuncias especializados em crimes cibernéticos, de maneira a garantir o cumprimento da lei e evitar impunidades. Com essas medidas, talvez, os desafios ilustrados em ‘’Rede de ódio’’ estejam distante da realidade brasileira.