Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 26/10/2021
Segundo o historiador britânico Arnold Tonybee, “Tornamo-nos deuses na tecnologia, mas permanecemos macacos na vida”. Dessa maneira, analisa-se a veracidade de tal afirmação, uma vez que juntamente com o avanço tecnológico, houve aumento da intolerância e discursos de ódio, seja por raça, etnia, gênero, poder aquisitivo, orientação sexual, entre outros aspectos passíveis de discriminação e que são intensificados pela falta de políticas que coíbam tais recorrências.
Em primeiro lugar, analisa-se a série “Gossip Girl”, onde existe um site em que são feitas sequências de exposições constrangedoras dos jovens do Upper East Side. Fora da ficção, não se torna diferente, uma vez que discursos que ferem a integridade física e moral das minorias são recorrentes nas redes sociais, como instagram, facebook e twitter. Por exemplo, conforme o site “Comunica Que Muda”, em apenas 3 meses houve mais de 10 mil menções nas redes sociais a respeito de classe social, entre as quais quase 95% correspondiam a mensagens negativas, confirmando dessa maneira, o exacerbado número de discursos de ódio presentes no espaço virtual.
Em segundo plano, observa-se a ineficácia do poder público no que diz respeito a resolução da intolerância na internet. Segundo o filósofo contratualista John Locke, o estado foi criado em razão de um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar harmonia. Todavia, é notório o rompimento desse contrato no cenário hodiemo brasileiro, uma vez que a lei que proíbe o preconceito pelos meios de comunicação social ou por publicação de qualquer natureza, não é devidamente executada, ocorrendo, geralmente, apenas a denúncia e exclusão do post preconceituoso, sem punições mais severas para o intolerante. Dessa maneira, a falta de iniciativas do poder público para uma maior fiscalização dos preconceitos sofridos por uma minoria, contribui para a permanência do impasse.
Infere-se, portanto, a necessidade de medidas para a resolução da intolerância e discursos de ódio na internet. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação, em escolas e universidades, realizar palestras e projetos interativos, desincentivando o ódio contra as minorias, com o objetivo de diminuir as discriminações da internet. Cabe, também, ao Congresso Nacional, por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar os investimentos referentes à fiscalização de intolerâncias nas redes sociais, com o objetivo de punição mais severa para os que não seguem a lei. Assim, o poder público será eficaz no combate a problemática. Somente dessa maneira, será possível ter um Brasil livre de preconceitos na internet.