Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 04/11/2021
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago, ressalta a importância de se ter olhos quando todos os perderam. Revela-se, sob essa óptica um grave problema intrínseco na sociedade que impede os indivíduos de enxergarem problemáticas como a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais, quer seja por questões culturais, quer seja por ineficiência do Estado nos assuntos de justiça. Neste contexto, vale salientar que o discurso de ódio sempre existiu na humanidade, ficando evidenciado ao levar em consideração que na Roma antiga, por vezes os muros eram pichados com imagens pornográficas e de cunho violento quando a população se encontrava insatisfeita com algum governante. Não distante, hoje, o usuário das redes sociais faz o mesmo, usufruindo do conforto do anonimato e não exposição física diante do sujeito atacado. Isso evidencia a necessidade de se criar mecanismo e leis de proteção digital.
Por outro lado, o sociólogo Durkheim, diz que quando o Estado é ausente a sociedade entra em anomia. Em outras palavras, sociedade começa a “fazer justiça com as próprias mãos”. Nisso a cultura do “cancelamento” tem se disseminado pelas redes devido a importância de se ter seguidores para monetização e relevância de trabalhos profissionais. Porém, pelo fato de a vida digital estar interligada com a real o “cancelado” pode sofrer por anos por um erro, conforme relatado por Lara a BBC. Lara foi autora da frase “já acabou, Jéssica?” e após viralizar na internet foi bombardeada e desenvolveu depressão e abandonou a escola. Demonstrando assim o poder negativo que discursos impensados geram.
Portanto, diante do que foi exposto medidas precisam ser tomadas. Cabe ao Estado, por meio do Legislativo elaborar novas leis no código penal para que crimes ocorridos no domínio digital possam ser julgados. Bem como exigir das empresas, como o Google, que crie mecanismos de segurança contra o discurso de ódio nas redes, podendo ser por rastreadores de palavras chaves e canais de denuncias. Também cabe ao Estado, por meio da utilização dos meios de comunicação como televisão, rádio, jornais e redes sociais criar campanhas de conscientização contra o discurso de ódio nas redes. Assim talvez, com essas ações as redes poderão se tornar um território mais seguro para os usuários.