Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 17/11/2021

Na obra “O Espírito das Leis”, Montesquieu enfatizou que é preciso analisar as relações sociais existentes em um povo para, assim, aplicar as diretrizes legais e abonar o progresso coletivo. No entanto, ao observar a rejeição e transcrição de ódio em meios digitais, certifica-se que a teoria do filósofo diverge da realidade tupiniquim contemporânea, haja vista a persistência da ineficácia de punições aos indivíduos por parte de empresas e do próprio governo, fato que impede a ascensão do estado brasileiro. Com efeito, é imprescindível enunciar os aspectos socioculturais e legislativos como pilares fundamentais da chaga.

É importante considerar, antes de tudo, o fator grupal. Conforme o pensador Jurgen Habermas, a razão comunicativa — ou seja, o diálogo — constitui etapa fundamental do desenvolvimento social. Nesse ínterim, a falta de estímulo ao debate a respeito da intolerância e discurso de ódio nas redes sociais, todavia, coíbe o poder transformador da deliberação e consequentemente ocasiona uma população alienada, sem desenvolver pensamento crítico, pois não há universalização da problemática acerca do tema com o objetivo de orientar a sociedade de como agir mediante destilações ameaçadoras feitas on-line. Destarte, discorrer criticamente a problemática é o primeiro passo para a consolidação do progresso sociocultural habermaseano.

Além disso, merece destaque o quesito constitucional. Segundo Jean Jacques Rousseau, os cidadãos cedem parte de sua liberdade adquirida na circunstância natural para que o estado garanta direitos intransigentes. A crítica e discurso ofensivo em vias digitais, entretanto, contrasta a concepção do pensador na medida em que o poder executivo não elabora programas sociais informativos com o intuito de sanar a problemática, trazendo uma população escassa da produtividade governamental, consequentemente propícia à intolerância, principalmente a parcela pobre, a mais atingida com a ineficácia de tal órgão. Dessa forma, ações precisam ser executadas pelas autoridades competentes com o fito de dirimir o revés.

Entende-se, portanto, a problemática como sendo um obstáculo intrínseco de raízes culturais e legislativos. Logo, a mídia, por intermédio de programas televisivos de grande audiência irá discutir o assunto com professores de sociologia, com o objetivo de mostras as reais consequências do problema, apresentar visão crítica e orientar os espectadores a respeito do impasse. Essa medida ocorrerá por meio da elaboração de um projeto estatal em parceria com o Ministério das Comunicações. Dessa forma, com a deliberação de Habermas e a justiça de Rousseau, a sociedade terá o progresso social concretizado, como enfatizou Montesquieu.