Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais
Enviada em 22/04/2023
“Não há nada de tão absurdo que o hábito não torna aceitável”. A afirmação atribuída ao estadista romano Cícero demonstra claramente a intolerância e o discurso de ódio nas redes sociais, uma vez que é justamente a naturalidade com que a sociedade se habitua adiante dessa problemática que a cristaliza no corpo social brasileiro. Sendo assim, fica claro que a origem dessa vicissitude está em tratar as redes sociais como uma terra sem lei. Dessa forma, não somente a estatal negligência como também a falha no sistema educacional agravam essa situação.
Diante deste cenário, é possível notar como o estado se relaciona com a sociedade de forma omissa e negligente. Sendo assim, é relevante salientar o ideal do filósofo John Locke, que defendia a importância de o Estado proteger o cidadão, para o contrato social poder ser cumprido. Desse modo, o artigo 5.º da constituição de 1988 assegura direitos, como igualdade, segurança e liberdade, a todos. No entanto, mesmo em meio à existência de uma lei protetiva, ainda é preciso que ela seja aplicada, dado que no ambiente virtual ocorre discursos de ódio gratuito e muitos deles sem nenhuma punição. Dessarte, é preciso compreender que a internet — espaço de inúmeras possibilidades — não pode ser modificado em um local de opressão simbólica. Logo, destaca-se a relevante atenção e reconhecimento dos casos de coação e manifestação de fúria nas mídias sociais, posto que a “sutileza” dessa conduta pode passar alheia aos olhos da sociedade.