Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 09/07/2023

A série “Black Mirror” retrata, no episódio “odiados pela nação”, que a internet é o principal mecanismo de propagação de discursos intolerantes. Frente a isso, observa-se que a realidade brasileira não está desvinculada da ficção pois, as publicações que incitam ao ódio contra minorias nas redes socias, são problemas persistentes na realidade atual. Nesse sentido, cabe destacar a impunidade e a automatização comportamental como fatores para este problema.

Primeiramente,a sensação de impunidade é um fator para a existência de discursos preconceituosos no âmbito virtual. Segundo o filosofo Karl Popper, em sua teoria do paradoxo da tolerância, para garantir o respeito entre indivíduos da sociedade é necessário combater as intolerâncias. Entretanto, a invisibilidade dos agentes do discurso de ódio na internet, impossibilita a concretização dessa ideia, visto que, os usuários escondem-se em perfis falsos dificultando a identificação e aplicação de punições legislativas. Sendo assim, a não identificação desse individuos impossibilita a realização da justiça as vítimas.

Ademais, é igualmente importante destacar a automatização comportamental como causa para esse problema. Para a filósofa Hanna Arendt, em seus estudos sobre a banalidade do mal, evidenciou que a sociedade passou por um processo de alienação devido a falta de reflexão sobre suas próprias atitudes. A partir dessa análise social, os usuários de redes sociais contribuem ao proposto por ela, haja vista que, seguem um efeito manada de compartilhar uma imagem sem refletir sobre seus efeitos a vítima. Dessa forma, uma imagem que poderia ser apenas um “meme” pode atuar como mecanismo de cyberbullyng.

Portanto faz-se necessário medidas para inviabilizar esse problema. Para isso, cabe ao Estado legalizar a inclusão de documentos pessoais nas redes sociais, por meio da associação com aplicativos, com o intuito de indeniza-los em caso de violação de direitos. Bem com, é dever da Mídia realizar a criação de campanhas voltadas ao efeitos das publicações preconceituosas na vida das vítimas, através da divulgação de videos feitos por elas, a fim de gerar autoreflexão e sensibilidade na sociedade. Assim, a internet não será mais um meio de divulgação de preconceitos, como visto na série.