Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 08/08/2023

O discurso de ódio consiste em declarações depreciativas acerca de um grupo ou indivíduo estigmatizado pela sociedade. No Brasil contemporâneo, entre os principais impasses relacionados a esse tema, encontra-se a forma de punição utilizada pela comunidade das redes sociais. Diante disso, é fulcral a análise sobre a cultura do cancelamento, bem como a prática da tolerância.

Em primeiro lugar, vale destacar que linchamentos são cada vez mais recorrentes no mundo cibernético. Tal premissa é confirmada pelo ocorrido com a influenciadora digital Gabriela Pugliesi, que foi hostilizada, o que nomeia-se cancelamento, devido a uma sequência de publicações que noticiavam uma festa dada em sua casa durante a pandemia do Covid-19. A postura de Pugliesi foi desaprovada por um grande número de usuários do Instagram que se empenharam em destruir a imagem da “influencer” como meio de punição. Em dissonância, a cantora Willow Smith afirmou em um episódio de “Red Table Talk” ser contrária à essa prática. De acordo com a artista “Vergonha não leva à aprendizagem”. Assim, é de suma importância que o corpo social reavalie sua forma de justiçamento.

Em segundo lugar, a tolerância é um elemento essencial para uma sociedade subsistir. Nesse viés, a filósofa Marcia Tiburi artcula em seu texto “Produção social da ignorância” que o pensamento reflexivo não é um valor nos dias atuais e que os brasileiros tendem a proferir ofensas ao lado “contrário” ao seu ao invés de tentar establecer um diálogo crítico primeiro. Logo, a tolerância de escutar a opinião do outro e, se indefensável, refutá-la com argumentos sólidos é algo a ser incentivado na sociedade.

Portanto, é necessário que o Ministério da Educação realize palestras nas escolas com a proposta de reflexão acerca da cultura do cancelamento, a fim de promover o entendimento de que há outras formas de realizar a justiça social. Por coseguinte, um detalhe importante é que essa ação possivelmente resultará na formação de cidadãos mais tolerantes para as futuras gerações.