Intolerância e discurso de ódio nas redes sociais

Enviada em 27/09/2023

Segundo a filósofa Hannah Arendt, " A essência dos direitos humanos é o direito a ter direitos." Sob essa ótica, nota-se que a intolerância e os discursos de ódio propagados no ambiente virtual, vão contra a premissa dissertada, visto que o direito da liberdade de expressão é ameaçado pela discriminação disfarçada de opinião. Nessa perspectiva, faz-se necessário analisar dois pontos acerca do óbice apresentado, que são a negligência estatal, em relação ao crescimento exponencial de crimes nas redes sociais, e a propagação de preconceitos vista como algo banal por parte expressiva da coletividade.

Nesse viés, primeiramente, é válido abordar que a falta de atuação do Estado, em relação aos crimes cometidos nas redes sociais, dificulta a utilização dessas mídias, de uma forma saudável e que agrega conhecimento para os usuários. Nesse âmbito, pode-se citar o pensamento sociológico da antropóloga Lilia Schwarcz, que, basicamente, diz que, no Brasil, existe uma política de eufemismos, ou seja, determinados problemas são suavizados e não recebem a visibilidade que merecem. Dito isso, medidas devem ser tomadas para acabar com o empecilho.

Por conseguinte, cabe analisar que a propagação de preconceitos, por meio da intolerância e de discursos de ódio, nas redes sociais, é visto como algo banal por alguns indivíduos da sociedade, o que pode gerar mais discriminação e causar problemas graves, para os que sofrem com tais hostilidades. Nesse contexto, a teoria da filósofa, Hannah Arendt, " Banalização do Mal", relaciona-se com a questão abordada, pois, ela afirma que o mal já está inserido na sociedade, que tornou-se algo comum e nada é feito para mudar a realidade. Logo, vê-se que essa normalização dos comportamentos antiéticos pode ser prejudicial à vivência das pessoas em comunidade, no caso, na comunidade virtual.

Portanto, é de suma importância que o Ministério dos Direitos Humanos e as mídias sociais, como instituições de alta relevância para o país, acabem com as discriminações propagadas nas redes. Isso deve ser feito por meio da exclusão das contas dos criminosos e de campanhas que abordem o assunto, com a promoção de debates em salas de aulas e nos aplicativos de sociabilidade, a fim de que todos tenham o direito de se expressar sem julgamentos e discriminações.